Redação #944158
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma "teologia do traste", cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Nessa perspectiva, faz-se preciso, portanto, valorizar também a eficácia e o uso correto das fontes de energia, ainda que elas sejam banalizadas por uma parte da sociedade e do Estado. Desse modo, a fim de mitigar males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Primordialmente é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com a eficiência energética no Brasil. Isso porque, como afirmou o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, em sua obra "Cidadão de Papel", a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a exiguidade de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6° da Constituição Cidadã - promulgada no ano de 1988-, que garente, entre tantos direitos, a assistência aos desemparados. Indubitavelmente, tal cláusula não é garantida de forma efetiva e, com isso, diversos sujeitos não são prejudicados por não possuírem acesso a esse direito civil que, reiteradamente, é omitido pelo governo, principalmente no que tange a falta de energia e apagões recorrentes em todas as regiões brasileiras, principalmente no Nordeste. Isso é perceptível, seja pela pequena campanha de conscientização acerca dos benefícios das fontes renováveis, seja pela má distribuição de energia e pela pouquidade de investimento no setor energético. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate aos infortúnios alusivos à segurança energética no Brasil contemporâneo.
Outrassim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a poluição do meio ambiente. Porquanto, para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra "Pedagogia da Autonomia", do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que esta destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades das poluições ambientais. Decerto, tais competências são agudamente indispensáveis para todos os cidadãos, mas que ainda não se fazem presentes no Brasil hodierno, pois, infelizmente, boa parte dos cidadões ainda sofrem com a falta de energia em suas residências. Tal conjuntura segregacionista revalida a tese de Dimenstein a respeito da Constituição Federal, já que a máquina administrativa pretere dos urbanitas aptidões socioemocionais. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem para a conscientização dos discentes sobre o uso correto das formas de energia renováveis e fósseis e, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealizou.
Em suma, ainda persiste no Brasil, o uso indiscriminado de fontes de energia não-renováveis, com isso, contribuindo com a devastação do meio ambiente. Para contornar esse problema, urge que o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, realize mudanças na grade curricular do ensino básico brasileiro, por meio de alterações na Base Nacional Comum Curricular, as quais afetarão as discipinas de filosofia, sociologia e historia, com o intuito de discutir criticamente a temática das energias renováveis e a maneira correta de seu uso e estimular o debate acerca das habilidades socioemocionas nas escolas, além disso, contribuir com a reconstrução de paradigmas sociais. Quiça, nessa via, a teologia do traste de Manoel de Barros se aplicará ao Brasil.