Redação #899882
Na obra "Utopia", do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto ao que o autor prega, uma vez que a persistência do trabalho análogo ao escravo no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Somado a isso, esse cenário antagônico é fruto tanto da inobservância estatal, quanto da falta de conhecimento acerca dos direitos trabalhistas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Nesse sentido, é fulcral pontuar que a permanência do exercício paralelo à escravidão no Brasil deriva da baixa atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Dessa forma, segundo a filósofa brasileira Djamila Ribeiro, para que se encontre soluções para um problema, é preciso tirá-lo da invisibilidade. Sob esse viés, o Estado, tomou para si uma postura estática diante das condições vivenciadas pelos trabalhadores, em sua grande maioria rurais, abandonando-os em situação de extrema vulnerabilidade. Com isso, observa-se que a perpetuação desse óbice está diretamente vinculada com a indiferença governamental, tanto em expor esse impasse presente na sociedade hodierna, quanto em buscar maneiras eficientes para erradicar práticas análogas ao trabalho escravo. Assim, o Governo Federal, sendo o maior responsável pelo cumprimento de leis, não tem desempenhado seu papel social, o que contribui com a perduração da invisibilidade desse empecilho.
Outrossim, faz-se mister, ainda, salientar a carência informativa que assola a maior parte dos trabalhadores como impulsionador dessa problemática. Nesse contexto, de acordo com o filósofo grego Platão, em sua obra "Alegoria da Caverna", dois homens vivem acorrentados em uma morada subterrânea, a qual, em função da ausência luz, representa a ignorância dos seres diante da infinidade de conhecimento que o mundo exterior a caverna poderia oferecê-los. Diante disso, o servente, por falta de informação, muitas vezes, se submete a jornadas de trabalho exaustivas sem previsão de término para quitar dívidas criadas para com os seus patrões, e sem perspectiva de como sair daquela situação o próprio trabalhador se silencia. Dessa maneira, a CLT (Consolidão das Leis Trabalhistas) garante ao empregado direitos que o fazem indendificar se ele está vivendo em situação análoga a escravidão e o auxilia com a disponibilização de meios para denúncia, entretanto, com a não democratização da informação os contribuidores permanencem na escuridão, contribuindo com esse problema. Assim urge que medidas sejam tomadas para que haja a reversão desse quadro de forma urgente.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas públicas que visem a construção de um mundo melhor. Dessarte, o Ministério do Trabalho, órgão responsável por zelar pelo trabalhador brasileiro, juntamente com veículos midiáticos, deve, por meio de campanhas nacionais de concientização, promover a democratização da informação para que se tenh uma sociedade menos ignorante. Além disso, o mesmo, deve implantar políticas de fiscalização trabalhista e expor a gravidade dessa problemática, cumprindo assim seu papel social aplicando as leis e quebrando um tabu para que não se viva na realidade das sombras, assim como na "Alegoria da Caverna" de Platão.