Redação #2664067
No filme "Alice: Subserviência", um homem compra uma robô de inteligência artificial (IA) para ajudar com os afazeres domésticos, mas essa adota certos comportamentos incoerentes a sua função, aginda de forma autônoma. Fora da ficção, na realidade brasileira, a implementação de sistemas algoritmizados através da IA no cotidiano ocupa um papel no desenvolvimento social, no qual o ser humano tem dispensado a cognição em detrimento de ferramentas que apenas deviam auxiliá-lo, mas tornaram-se uma alternativa prioritária para a obtenção de conhecimento. Diante disso, um mecanismo de suporte provocou uma dependência tecnológica diária que suspende a capacidade crítica e criativa do indivíduo.
Sob esse viés, a necessidade constante do uso de ferramentas tecnológicas expõe um contexto de submissão à inteligência artificial como determinante para a aquisição de certos objetivos sociais. No documentário "O dilema das redes sociais", ex-funcionários de empresas, como Google e Instagram, afirmam que várias tecnologias foram criadas a partir de algortimos que provocam a dependência por meio de um ciclo vicioso de gerar constante prazer ao usuário. Nesse sentido, um reflexo desse comportamento tem sido o uso diário e ilimitado dos celulares, os quais facilitaram a posse cotidiana de todas as informações necessárias em apenas um pequeno objeto. Dessa maneira, a associação de aparelhos tecnológicos com ferramentas algoritmizadas acarreta em um panorama de interdependência que desfavorece a autonomia crítica.
Além disso, a dependência tecnológica representa a concepção da IA como preponderante para a gradual perda do processo criativo humano, característica de uma sociedade que se submeteu à tecnologia e aos seus mecanismos. No filme "Ela", um homem passa a se relacionar com uma ferramenta de inteligência artificial e começa a utilizá-la no seu trabalho, recorrendo a ela para interações sociais e até mesmo decisões diárias. Analogamente, no contexto brasileiro, o uso de ferramentas tecnológicas sustenta uma dependência do estímulo ao pensamento cognitivo sem medir esforços humanos, o que se perpetua socialmente através da inaptidão e da indisposição dos indivíduos. Com isso, a problemática necessidade diária da IA substitui o campo de desenvolvimento intelectual e cognitivo ao interromper o seu progresso na busca por conhecimento.
Portanto, a expansão da inteligência artificial tem proporcionado avanços sociais, no entanto corrobora para a perda da autonomia criativa e crítica daqueles que a ela se submetem. Dessa forma, o Ministério da Educação, responsável pela gestão do sistema de ensino do país, deve promover a inserção da IA no ambiente escolar como suporte ao desenvolvimento individual para que estimule a criatividade e a imaginação, por meio de mecanismos que se baseiam no processo da busca pelo conhecimento através da tecnologia, a fim de que a sociedade brasileira não se submeta totalmente aos algoritmos sistematizados, mas priorize a autonomia do pensamento humano. Somente assim, o cenário apresentado no filme "Alice" não ocorrerá com os brasileiros.