Redação #2658287
Durante a Grécia Antiga, um dos ideais mais seguidos era a virtude aristotélica, a qual se baseia em não se aproximar dos extremos da ignorância e da seletividade de conhecimento. Diferentemente dessa prerrogativa, atualmente, no Brasil, vê-se a formação de bolhas sociais, grupos com pensamento similar, principalmente em jovens e adultos, com as ajudas da internet e dos meios comunicativos tradicionais. Desse modo, é preciso entender a causa e o impacto para os indivíduos, como a lacuna educacional e a influência midiática, respectivamente.
Sob esse viés, a ineficácia escolar em construir alunos com pensamento crítico durante a revolução digital é a origem do cenário. Isso se dá pelo fato das instituições escolares não conseguirem lidar com a fluidez e a velocidade do meio digital em transmitir informações, o qual não depende da distância entre remetente e destinatário e sim apenas da conexão com uma rede de internet, formando, assim, as bolhas. Além disso, a escusa dos colégios em preparar o aluno para vestibulares coloca o objetivo de transformá-lo em um cidadão crítico e reflexivo em segundo plano. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Cortella, as escolas são do século 19 com professores do século 20 e alunos do século 21. Fora da teoria, percebe-se uma convergência com a realidade brasileira, uma vez que há muitos docentes sem perceber a gravidade da formação psicológica precária dos estudantes, o qual ocasiona sintomas de alienação sobre certos assuntos, como polarização política e pensamento acrítico. Então, é mister os professores e instituições educacionais prezarem tanto vestibular quanto à reflexão dos alunos.
Outrossim, a atuação da mídia em escolher temas específicos e dotados de parcialidade promove a intensificação das bolhas sociais. Isso acontece porque o algoritmo influencia o conteúdo visto pelas pessoas, porém, ele apenas sugere informações, é fundamental a diversificação dos tópicos consumidos e por diferentes fontes para que não seja alienado por jornais e blogs tedenciosos. Consequentemente, enquanto não houver uma grande gama de portais de informações, há a manutenção do pensamento acrítico e dos grupos sociorreflexivos. Nesse contexto, segundo a corrente ideológica da Escola de Frankfurt, a democracia e a ética dependem de comunicação sem dominação visando ao consenso geral. Ao sair do campo das ideias, a concepção abordada se distancia do cotidiano concreto do país, já que a mídia dentro do meio digital dificulta a liberdade de pensamento ao priorizar assuntos redigidos com parcialidade. Logo, a disseminação de conhecimento deve ser imparcial e fiscalizada.
Portanto, faz-se necessário corrigir a fissura educacional para evitar a alienação provocada pela mídia e pelo algoritmo, a qual resulta no pensamento acrítico. Assim, entidades escolares devem estimular a razão filosófica dentro das classes. Ainda, o Ministério das Comunicações, órgão público responsável pelas informações disseminadas, deve realizar inspeções de confirmação de imparcialidade dos veículos de informação, por meio da busca e fiscalização nas formas de disseminação notícias, como a internet, redes sociais e podcast, a fim de diminuir a presença das bolhas sociais no Brasil. Com tais medidas aplicadas, será vista uma redução na polarização política e religiosa, por exemplo.