Redação #2601485
A Agenda 2030 da ONU, nos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável(ODS), defende a organização de cidades e comunidades, reduzindo, assim, a desigualdade e a pobreza. No entanto, hoje em dia, é nítido que a gentrificação dos centros urbanos é uma problemática na contemporaneidade, uma vez que o reflexo dessa situação é negativa na sociedade, e tradições, memórias emocionais nativas e moradias são perdidas pela expansão massiva da urbanização. Logo, a disparidade social e o capitalismo desenfreado são óbices a serem solucionados.
Diante desse cenário, a estratificação social é uma raiz desse estorvo. Nesse contexto, isso ocorre porque as disparidades de renda dividem a sociedade, na qual quem ganha mais tem lugar garantido no centro, porém quem é vulnerável economicamente é expulso da área central por não conseguir sustentar uma vida com qualidade mínima, nesse sentindo, moradia, alimentação e lazer, migrando para os aglomerados subnormais-periferias-. Em meio a isso, Henri Lefebvre, filósofo francês, pontua que a sociedade deve ser construída para acolher todo o corpo social, e não somente para aqueles que podem pagar por ela. Vê-se, por exemplo, de acordo com notícias divulgadas no G1, a cidade de Salvador-Bahia- e os planos empresariais de modificações constantes na área do Pelourinho-bairro de turismo-, o que, consequentemente, retiraria a população local e agravaria o quadro de desigualdade social, fazendo os cidadãos migrarem para as favelas, marginalizando, novamente, a população mais carente. Sob esse viés, é válido pontuar que a situação persiste, pois há baixo incentivo de políticas públicas em relação à garantia de habitação populacional, haja vista que para o Estado é mais fácil realocar e rebaixar a população a cenários impróprios, a exemplo, passar 3 horas no ônibus para chegar ao emprego no centro, do que direcionar mais verbas para proteger a dignidade dos indivíduos, sendo assim, a gentrificação tende a expadir sem freios.
Ademais, o capitalismo é outra origem do imbróglio. Nessa lógica, Ariano Suassuna, dramaturgo brasileiro, afirma que existe uma injustiça secular capaz de dividir o país em duas vertentes: a dos privilegiados e a dos despossuídos. Sob essa perspectiva, tal questão se agrava pelo capitalismo, já que os objetivos almejados são propriedade e lucro, ou seja, o reflexo negativo repercute na população mais pobre e, devido a remodelação local, tal como a especulação imobiliária, a falta de planejamento urbano inclusivo e a ampliação da pobreza, os despossuídos têm zero relevância nos lucros empresariais e estatais. À vista disso, principalmente, a população negra e pobre sofrem as consequências, evidenciando que o problema da gentrificação também possui raízes históricas do período colonial, no qual os melhores espaços pertenciam aos que tinha nome e dinheiro, sendo assim, a não solução desse cenário tem marcas e advém do poder estar na mão de poucos. Em face do exposto, o capitalismo é um fator agravante da desorganizção socioespacial atual.
É crucial, portanto, que a desigualdade e o capitalismo sejam resolvidos para a melhoria do quadro de gentrificação e os seus reflexos sociais. A esse respeito, o Governo, na condição de maior prestador de serviços sociais, por meio do cumprimento do Estatuto da Cidade, de políticas públicas-Minha Casa Minha Vida- e do aumento dos subsídios governamentais, promova a fiscalização, o resguardo das localidades históricas e socioafetivas com possíveis interesses empresariais, além de mitigar as disparidades socioecônomicas habitacionais e de renda, com a finalidade de mitigar a pobreza e de garantir o direito à propriedade. Dessa forma, a máxima da questão supramencionada será sanada e a "Agenda 2030" colocada em prática.