Redação #2601331
O rompimento da barragem da cidade de Mariana, em Minas Gerais, configura-se como um dos maiores desastres ambientais do país, deixando milhares de vítimas e graves danos ao meio ambiente. De maneira análoga, a problemática das catástrofes na natureza permanece presente no Brasil, haja vista que as causas responsáveis ainda não foram combatidas. Com isso, observa-se que tal questão decorre não somente da negligência governamental, mas também da falha educacional.
Sob esse prisma, é válido destacar a inércia estatal como principal fator causador do problema. Essa questão se intensifica, ao passo que o Brasil não possui uma campanha nacional concreta e eficaz de prevenção e minimização das tragédias no meio ambiente. Tal panorama foi estudado pelo pesquisador Ruy Braga, o qual, a partir de uma perspectiva crítica voltada à realidade latino-americana, verbaliza que a ausência de um modelo de preservação ambiental socialmente comprometido e eficiente permite a manutenção dos prejuízos ambientais e sociais. Diante disso o pensamento do estudioso reflete a atualidade do país, uma vez que políticas públicas de fiscalização da atividade industrial das grandes empresas se mostram insuficientes, possibilitando a permanência do descarte inadequado de resíduos sólidos, de modo a atingir a população mais vulnerável desamparada. Por isso, tal situação hostil precisa ser revertida.
Outrossim, ressalta-se a lacuna educacional como fator agravante do entrave. Acerca disso, a filósofa Hannah Arendt, ao formular o conceito de Banalidade do Mal, evidencia que a ausência de uma educação ambiental efetiva contribui para a perpetuação de comportamentos nocivos reproduzidos de forma acrítica. Sob essa ótica, o posicionamento da autora dialoga com a realidade nacional, visto que muitos cidadãos reproduzem práticas prejudiciais ao meio ambiente â" como o desperdício de água e o descarte inadequado de resíduos domésticos â" sem refletir sobre seus impactos a longo prazo. Diante disso, tais consequências deveriam ser apresentadas e debatidas de modo eficiente nas escolas de todo o território do país. Dessa forma, urge a implementação de métodos educativos eficazes para abordar os danos ambientais, com o fito de conscientizar a população brasileira.
Portanto, infere-se que cabe ao Poder Executivo Federal - mais especificamente ao Ministério do Meio Ambiente - promover políticas públicas eficazes em relação à mitigação de catástrofes ambientais, por meio da intensificação das medidas de fiscalização das atividades industriais e do descarte inapropriado de resíduos sólidos e metais tóxicos pelas grandes empresas no meio ambiente - realizada quinzenalmente. Tal ação ocorrerá a fim de minimizar os riscos de grandes acidentes ambientais e incentivar a preservação do ecossistema brasileiro. Ademais, cabe ao Ministério da Educação conscientizar os cidadãos acerca dos prejuízos gerados pelas práticas nocivas à natureza, mediante palestras e debates voltados à reflexão dos impactos ambientais a longo prazo, a fim de reduzir a reprodução de tais comportamentos danosos pela população. Assim, esses desafios serão, gradualmente, combatidos, e casos como o de Mariana não serão mais recorrentes no país.