Redação #2598562
As toadas do Boi Garantido do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, exploram a temática da grandiosidade da floresta Amazônica, sua importância e contribuição total para a cultura nortista. No entando, há também trechos dedicados à denúncia da exploração ilegal da floresta. O desmatamento, as queimadas e o garimpo não autorizado se tornaram comuns em meio a mata, afetando profundamente a rotina de povos originário, a fauna e a flora no país, além da dinâmica climática local e nacional. Sabendo disso, é imprescindível o debate acerca de como o capitalismo é um fator predominante para a devastação ambiental da floresta, e como a desigualdade social se torna resultado direto dos impactos amazônicos.
Em uma primeira análise, é necessário salientar o impacto ambiental da lógica capitalista de consumo. Isso acontece porque, ao decorrer da história e evolução do capitalismo, a necessidade pelo consumo exacerbado se tornou a principal definição para esse estilo econômico. Isto é, o mundo se tornou cada vez mais dependente de compras e gastos fúteis como forma de satisfação pessoal e inserção social. Diante disso, a floresta se tornou a principal fonte de recursos para a produção e exportação de produtos, sejam eles alimentares, da cosmética ou de moda. Sendo assim, é recorrente a existencia de queimadas para a criação de gado, o garimpo ilegal toma o espaço das comunidades indígenas e a caça por animais em extinção para a comercialização no exterior se configura como algo comum na floresta. Tendo ciência dos fatos, o líder indígena David Koppenawa utiliza a expressão "povo da mercadoria" para se direcionar aos brancos (como forma de recordar a chegada dos portugueses ao território brasileiro). Ou seja, para o xamã, a sociedade capitalista enxerga a floresta como uma fonte inesgotável de insumos para satisfazer a dependência mundial pelo consumo. Assim, a amazônia e seus povos são os principais afetados, a devastação ambiental passa a fazer parte da rotina amazônica.
Consoante a isso, é crucial entender que as minorias sociais são os pricipais afetados pela exploração ilegal da amazônia. Por um lado, isso se dá porque grande parte deles são dependentes diretos da floresta. Ribeirinhos e indígenas, por exemplo, necessitam da fauna e da flora para a sua sobrevivência. A utilização de produtos naturais para higiene e cuidado pessoal, a pesca e a religiosidade são diretamente ligados ao bem-estar da amazônia. No entando, outras minorias como negros e classes baixa renda, também são vítimas do desmatamento amazônico, haja vista que, boa parte deles, ocupam áreas de risco, suas moradias não possuem infraestrutura de segurança, além do acesso precário ao sanemento básico. Assim, com as consequências climático-ambientais da exploração predatória da amazônia (calor extremo, fortes chuvas, esgotamento florestal), essas minorias são ampamente afetadas. O ambientalista Ailton Krenak analisa essa situação como sendo uma agressão direcionada, pois atinge de modo disproporcional os grupos vulneráveis, que tem sua identidade e vida sustentados pela floresta. Dessa forma, nota-se que o desmatameno deixa de ser "apenas" uma questão ecológica e se torna na violação de direitos humanos básicos pelas minorias.
Portanto, urge salientar a necessidade do combate à exploração ilegal na amazônia, haja vista seus impactos ambientais e sociais. Em primeiro lugar, cabe ao Governo Federal através do Ministério dos Povos Indígenas, junto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima o combate efetivo às queimadas ilegais e garimpos não autorizados através de fiscalizações recorrentes na floresta por meio de monitoramento tecnológico por drones e satélites. Por outro lado, é dever no Ministério da Educação a implatação de projetos de campanhas escolares de aprendizado sobre a importância da floresta e dos saberes indígenas para uma configuração estatal igualitária, isso se dá devido à futura participação dos jovens brasileiros na vida política democrática. Somente assim o Brasil poderá se tornar um país que deixa apenas para a história colonial a exploração da floresta amazônica, e passa a valorizar a mata como um privilégio imcomparável.