Redação #2592348
No filme "Querido menino", um homem procura seu filho pelas ruas após ele ter fugido de casa devido a sua dependência química. Fora da ficção, na realidade brasileira, o déficit habitacional está muito associado a pessoas com vício em drogas, o que denota uma maior vulnerabilidade em decorrência do abandono social e dos impactos trazidos ao ambiente familiar, características que refletem um grupo específico, mas que expõem o cenário vivenciado por uma parcela da população em situação de rua. Diante disso, a precariedade socioeconômica reflete a invisibilidade e a exclusão, fatores os quais contribuem para a dificuldade de ascensão social.
Sob esse viés, a problemática desigualdade social vigente possui raízes históricas do processo de formação do país, em que as pessoas eram segregadas espacialmente, o que determinou a marginalização da pobreza. No filme "Lion", Saroo perde-se de seu irmão e não consegue encontrar o caminho de volta para sua casa, o que faz ele passar a morar nas ruas junto com outras crianças, ficando, assim, exposto a mazelas sociais. Nesse sentido, no Brasil, o déficit habitacional expõe uma realidade de fragilidade social do indivíduo, o qual fica impossibilitado de acessar os serviços essenciais à sobrevivência, condicionando-o a uma condição precária de qualidade de vida. Com isso, o papel social do cidadão constitui-se apenas de sobreviver mesmo em vulnerabilidade diante da exposição diária aos problemas socioeconômicos trazidos pela marginalização social.
Além disso, a constante negligência estatal aos problemas que acometem a população traz impactos, principalmente, aos indivíduos em situação de rua, uma vez que a invisibilidade social deriva, muitas vezes, da carência de notabilidade governamental às necessidades da população periférica. No filme "À procura da felicidade", um homem, após perder o emprego, procura um abrigo comunitário para viver com o seu filho, já que não conseguia custear todos os gastos sozinho e não recebia auxílio externo. Analogamente, no cenário brasileiro, a dificuldade financeira possibilita a insustentabilidade no que se refere à habitação, problemática que expõe indivíduos à situação de rua, já que o Estado não oferece garantias eficazes para a estabilidade socioeconômica aos cidadãos brasileiros. Dessa maneira, o fator determinante para a desigualdade socioespacial está na contradição entre o conceito de cidadania e a falta de acesso aos direitos básicos.
Portanto, para que a precariedade social não seja uma condição em expansão, mas que traga reflexão sobre os efeitos desmoralizantes da desigualdade enraízada no país como também a escassez de um Estado solícito a fornecer auxílio aos seus cidadãos. Dessa forma, o governo federal, responsável pela gestão do país, deve promover a criação de políticas públicas que ofereçam suporte socioeconômico às pessoas em situação de rua, por meio da oferta de serviços básicos eficientes para as necessidades de sobrevivência, a fim de que a vulnerabilidade e a marginalização não sejam fatores que invisibilizam a cidadania de vítimas do déficit habitacional. Somente assim, a realidade apresentada no filme "Querido menino" não ocorrerá no país.