Redação #2592245
Na série "Adolescência", Jamie, um menino de treze anos, é acusado de feminicídio, comportamento o qual foi fomentado por conteúdos misóginos que ele consumia na internet. Fora da ficção, na realidade brasileira, os atos criminosos cometidos por jovens originam-se, principalmente, de padrões habituais da desmoralização dos indivíduos que propiciam a marginalização social derivada de um convívio em coletividade ineficaz. Diante disso, a necessária reintegração dos infratores exige uma transformação conceitual que opõe ação do sujeito ao ressignificar a moralidade pela promoção dos direitos dignos de um cidadão.
Sob esse viés, as constantes falhas da educação propiciam um rompimento moral das normas de convivência, uma vez que não oferecem base educativa sobre desenvolvimento social em coletividade. No filme "Cidade de Deus", crianças da periferia carioca são facilmente aliciadas pelo crime organizado, que promete uma ascensão financeira em oposição aos estudos, os quais, muitas vezes, não garantem êxito acadêmico e profissional devido às lacunas metodológicas do ensino. Nesse sentido, no cenário brasileiro, a relação entre precariedade educacional e incidência criminal reflete um panorama socioeconômico em que ocorre o desestímulo da escola como promotora de fundamentos construtivos ao progresso da cidadania. Dessa forma, o crime tornou-se reflexo da carência de uma formação educacional capaz de transformação moral.
Além disso, a negligência estatal contribui para a marginalização de infratores ao precarizar o devido suporte socioeconômico para a efetiva inclusão social, que exige a garantia de direitos básicos, muitas vezes, não supridos. Na série "Olhos que condenam", cinco jovens negros são acusados de um crime hediondo, do qual são presos injustamente, e, ao serem libertados, encontram dificuldades para conseguir oportunidades devido à inexperiência fomentada pelo aprisionamento. De maneira análoga, na realidade brasileira, a dificultosa ressocialização enfrenta os reflexos de um Estado que subalterniza as necessidades sociais de infratores decorrente da desmoralização como cidadão, indispondo-os de auxílio que promoveria um reparo com a sociedade diante de um ato criminoso. Com isso, é comum a reincidência criminal de infratores, uma vez que a falta de políticas de reintegração social possibilita o retorno das práticas criminosas.
Portanto, entende-se que a ressocialização de jovens infratores não tem sido efetiva devido às recorrentes falhas educacionais sobre moral como também a persistência de um Estado negligente com as necessidades básicas da cidadania plena. Assim, o governo federal, responsável pela gestão do país, deve promover a criação de políticas públicas que garantam o auxílio socioeconômico aos infratores, por meio de ações governamentais que ressignifiquem o aprisionamento para um mecanismo promotor da ressocialização, a fim de que o crime nã seja visto pelos jovens como uma promessa de ascensão social, mas como um desvio moral constituído de reparo. Somente assim, o cenário vivido por Jamie não ocorrerá com os jovens brasileiros.