Redação #2478912
Na série "Black Mirror" é exposta a influência das mídias sociais e algoritmos no comportamento humano. Tratando-se de um reflexo da realidade contemporânea, a obra escancara - se utilizando de hipérboles - os perigos do avanço desenfreado e livre das redes. Dessa forma, cabe analisar como a ganância corporativa e o desamparo governamental corroboram a manipulação do comportamento do usuário por meio de algoritmos em território nacional.
Deve-se destacar, a princípio, como o capitalismo promove o uso de controle de dados para maximizar o lucro de empresas. Tal modelo econômico, instaurado após a Guerra Fria, é um sistema econômico e social baseado no direito à propriedade privada, lucro e acúmulo de capital. Sendo assim, na atualidade, para facilitar esse processo, corporativas se aproveitam de dados dos usuários para garantir o público alvo de seus empreendimentos e estimular a lei da oferta e procura, ou seja, utilizam-se de influenciadores para fazer propagandas - quando o produto é de graça (as redes sociais), a mercadoria são os internautas. Com isso, as empresas monetizam a atenção do usuário e coletam os dados pessoais, com o objetivo de aumentar o consumismo e o ganho de capital. Como consequência, o meio ambiente sofre com a exploração de água para a fabricação de bens de consumo, com a poluição de fábricas e com o desmatamento para a expansão de áreas de extração, por exemplo.
Ademais, a omissão governamental fez com que a liberdade dos algoritmos perdurasse a ponto da utilização de dados ser uma maneira de garantir retorno financeiro. Esse descaso decorre do rápido avanço das tecnologias e mídias sociais. Apesar de existirem leis que protegem como os dados pessoais são coletados e usados, ainda não regulam profundamente, já que o algoritmo é ajustado para criar dependência e identificar padrões de gosto, manipulando decisões. Sendo assim, com a falta de transparência, é impossível saber o nível de influência sobre o usuário, o que causa a alienação da população - que só consome os mesmos conteúdos - e a frustração, por ser incapaz de adquirir todos os produtos vendidos nas redes sociais - já que vender curso virou sinônimo de enriquecer no Brasil contemporâneo. Consequentemente, o brasileiro tem sua saúde mental afetada, com o excesso de informações e a desigualdade social que impede que todos tenham acesso às mesmas condições de gastos e a dinâmica das redes permanece a mesma, já que, uma vez instaurada, é mais difícil de ser mudada, criano um ciclo de insatisfação e manipulação.
É evidente, portanto, que as empresas e o poder estatal têm grande responsabilidade sobre a manipulação do comportamento de usuários pelo controle de dados na internet. Logo, é de responsabilidade do Ministério da Comunicação, com a ajuda do Poder Legislativo, implementar políticas públicas que exijam a transparência de corporativas acerca dos algoritmos. Por meio de discussões no Congresso e nas redes sociais - para garantir que a população tenha ciência sobre a própria alienação e os riscos vividos, além de ser incluída no processo democrárico - a ação tem a finalidade de assegurar a fiscalização e responsabilizar os empresários que lucram com a perda de senso crítico da sociedade atual. Assim, com as devidas mudanças, os episódios de "Black Mirror" serão apenas ilustrações de um futuro distópico que ocorreria caso a humanidade não agisse contra a perda da própria autenticidade.