Redação #2457344
A música "criança não trabalha", do grupo "Palavra Cantada", apresenta a importância de brincadeiras para o desenvolvimento infantil, e como o trabalho infantil pode inviabilizar esses momentos. Apesar da narrativa ser lírica, ao observar o contexto brasileiro, é pertinente citar a relevância da idade mínima ao trabalho, como uma forma de proteção a infância. Nesse sentido, é fundamental debater sobre a lógica capitalista que desrespeita o corpo de minorias em pról do lucro, e a perpetuação de um ciclo de desumanização e pobreza que tal lógica perpetua.
Em primeira análise, é relevante citar que o sistema capitalista, é marcado pela exploração dos corpos, desrespeitando sua dignidade e seu limite. Isto é, desde o período do capitalismo-comercial, sob um ideal colonialista e escravista, os indivíduos negros eram tratados como serviçais assim que nasciam, tendo suas respectivas infâncias negadas, por serem vistos pelo colônos como uma fonte de Lucro. Trazendo para o contexto atual, apesar do fim da escravidão, e a criação de leis que protejam a infância de todo ser humano, os corpos que decendem desses escravizados, ainda tem as suas infância reduzidas pelo sistema capitalista, que sob uma ótica neoliberal, influência as decisões estatais de uma idade mínima de trabalho. Desse modo, torna-se evidente que preservar a idade mínima para o trabalho, além de ser uma forma de preservar a infância, é de forma semelhante, um dos caminhos para enxergar os sujeitos além da sua capacidade de produção.
Ademais, é de suma importância apontar que ao expor as crianças a uma situação explorátoria , e enxergar seus corpos apenas como mão de obra, perpetua-se um ciclo de pobreza. Tendo em vista que as crianças em venerabilidade social tem suas escolhas de quando iniciar a jornada trabalhista limitadas, pela necessidade de começar o mais cedo possível a auxiliar financeiramente as familías. O início precosse desses jovens resultam em um baixo rendimento escolar, ou em casos mais extremos, o abandono da vida estudantil, que no futuro resultam em uma limitação das escolhas profissionais, que os fazem só terem acesso a trabalhos mal remunerados, perpetuando assim o ciclo de pobreza. Nesse viés, a jornalista Narcisa, escritora romantista que escrevia sobre a importância da educação feminina, afirmou o atraso social de expor meninas pobres a trabalhos manuais ao invés de investir em suas educações. Ao trazer a afirmação de Narcisa para os dias contemporâneos, é possível observar que apesar da educação feminina nos dias atuais serem um direito, muitas meninas com baixo poder aquisitivo na conseguem exercer dele plenamente, ao precisarem trabalhar para ajudar a familia. Logo, é necessário garantir que os estudos sejam a prioridade da infância, e não o trabalho.
Portanto, torna-se claro a importância de garantir a idade miníma ao trabalho. Em suma, é dever do Governo Federal, por intermédio do ECA --por se tratar do estatuto mais adequado para a implementação de leis em prol da infância-- garantir o aúxilio a familias com crianças em vulnerabilidade social. Tal ação deve ocorrer por meio do projeto "Criança estudando", que irá financiar projetos de pesquisa de crianças sobre assuntos de suas matérias de grade escolar. Com finalidade de oferecer as crianças de baixo poder aquisitivo opções de meios financeiros que não seja o trabalho. Quem sabe assim, o desenvolvimento infantil será respeitado como idealiza a música do grupo Palavra Cantada.