Redação #1623010
De acordo com o sociólogo Emile Durkheim, o componente social é semelhante a um corpo biológico, no qual todos os órgãos trabalham, de forma pluralizada, para o seu bom funcionamento. Não obstante, constata-se um nefasto hiato entre a ideologia filosófica e a conjuntura hodierna nacional, uma vez que, devido às ineficácias institucionais, observa-se, em demasia, os desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil, acentuados - indubitavelmente -, pelo machismo estrutural e, por fim, pela apatia midiática. Destarte, faz-se imperiosa a análise sobre tais fatores, a fim de erradicá-los da sociedade nacional.
Sob essa óptica, digladia-se referente ao patriarcado enraizado nas estruturas da sociedade. Na novela "O outro lado do Paraíso", a personagem Clara é vítima de opressões psicológicas e físicas de seu cônjuge, baseadas em um ideal errôneo de superioridade masculina. Consoante a isso, percebe-se uma imensurável semelhança entre o cenário ficcional e o mundo hodierno, haja vista que, por conta da soberania do homem consolidada no tecido social, houveram a subjugação, inferiorização e a exploração do sexo feminino. Dessa forma, a soberania nociva do homem, cuja perdurou por milênios de anos, corroborou para a depreciação das atividades desempenhadas pelas mulheres, assim como a sua exclusão da participação social. Com isso, as atividades de assistência exercidas por cidadãs sofrem uma invisibilização social e institucional no cenário brasileiro. Ademais, o entrave em questão é acentuado por intermédio da estereotipação às mulheres que, infelizmente, são rotuladas e subjugadas cotidianamente como incapazes ou inaptas para tal categoria funcional. Por isso, enquanto a conjuntura social estiver refém de um sistema desigual e patriarcalista que prega a exclusão de gênero, o revés há de perdurar.
Outrossim, obtém-se a inércia da mídia como um agravante da questão. O cineasta Stan Lee estabeleceu, através das histórias em quadrinho do Homem Aranha, o princípio de Peter Parker, no qual afirmava que com grandes poderes também vinham grandes responsabilidades. Desse modo, apesar da figura midiática obter tamanho poderio coletivo e ideológico, sobretudo no elemento nacional, a sua ausência frente ao contratempo constatado torna possível a continuidade da invisibilidade social no trabalho assistencial das mulheres, uma vez visto que a inexistência de campanhas de cunho publicitário e de conscientização deterioram às margens de valorização dos serviços prestados. Ademais, a omissão de abordagens, notícias e atualização sobre a contribuição dessas atividades produzidas não só fomentam a ignorância e a inconsciência popular, mas também a má remuneração aplicada sobre tais. Por fim, é mister um acolhimento mais incisivo e eficiente por parte dos grandes detentores de mídia.
Portanto, mediante os fatos supracitados, urge uma elucidação. Cabe ao Ministério Público, em parceria com o Poder Midiático — principal regente dos veículos comunicacionais do Brasil -, criar e fundar campanhas publicitárias de conscientização social a cerca do quadro de invisibilidade e marginalização sofrida por essa classe de mulheres, por meio dos instrumentos midiáticos mais comuns (isto é, redes sociais e televisões). Com a implementação dessa medida, tornar-se-ia possível a existência da similaridade estabelecida pelo sociólogo Emile Durkheim.