Questão 27 - PUC-RS Inverno 2015
INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Das opções políticas à escolha do creme que se
usa no rosto, as decisões que tomamos agora parecem
carregadas de implicações morais. Temos, desde os
gregos, quase trinta séculos de pensamento sobre ética.
[5] E, se isso nem de longe resolve problemas que vão da
organização familiar à pesquisa científica, não é apenas
porque hoje há dilemas com os quais não se sonhava
em Atenas: todo sistema moral sempre será insuficiente
perante a realidade. Hoje, quando a filosofia é uma dis-
[10] ciplina acadêmica, perdemos a ideia de completude que
ela representava no mundo pagão antigo. Em Pursuits
of Wisdom, um belo panorama do pensamento ético da
antiguidade, John Cooper, da Universidade Princeton,
lembra que, entre os gregos, a filosofia era antes de
[15] tudo um modo de vida, um guia para a virtude e a felici-
dade. E, que lindo, não se concebia que pudesse haver
felicidade sem virtude. (...) Na filosofia moderna, o foco
especializado dos pensadores da ética saiu do sujeito e
de suas virtudes (ou falta delas) para se focar em ações:
[20] é certo ou errado comer carne, ou usar o carro para ir
ao trabalho todo dia? Mas a sabedoria fundamental – no
sentido mais substantivo desse adjetivo – da filosofia
grega é incontornável. Marco Zingano, professor do
Departamento de Filosofia da USP, lembra que a ética
[25] das virtudes, proposta sobretudo por Aristóteles, tem
uma relevância especial hoje: “Uma ideia cara à ética
das virtudes é que as decisões devem ser tomadas em
função das circunstâncias, a partir de uma certa sensibili-
dade moral.” Nessa concepção, somos, cada um de nós,
[30] agentes morais: todas as decisões éticas são tomadas
em primeira pessoa, e é inadmissível que a voz de um
agente moral seja usurpada.
Veja, dezembro de 2013, edição 2353 (adaptado).
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, analise as possibilidades de reescrita da última frase do texto 3 (linhas 29 a 32).
I. Assim, somos cada um de nós agentes morais e, sendo inviável que alguém censure a opinião de um agente moral, todas as decisões éticas que tomamos em primeira pessoa, são inalienáveis.
II. Nessa linha de pensamento, todo indivíduo é um agente moral, e as decisões éticas são sempre tomadas em primeira pessoa, não se admitindo a apropriação indevida da voz de um agente moral.
III. De acordo com essa concepção, cada um de nós é um agente moral cuja voz não deve ser tolhida, porque todas as decisões éticas são particulares e intransferíveis, não podendo pois ser alienadas.
A(s) proposta(s) que mantém / mantêm o sentido e a correção da frase original é/são
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