Questão 25 - PUC-RS Inverno 2015
INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Das opções políticas à escolha do creme que se
usa no rosto, as decisões que tomamos agora parecem
carregadas de implicações morais. Temos, desde os
gregos, quase trinta séculos de pensamento sobre ética.
[5] E, se isso nem de longe resolve problemas que vão da
organização familiar à pesquisa científica, não é apenas
porque hoje há dilemas com os quais não se sonhava
em Atenas: todo sistema moral sempre será insuficiente
perante a realidade. Hoje, quando a filosofia é uma dis-
[10] ciplina acadêmica, perdemos a ideia de completude que
ela representava no mundo pagão antigo. Em Pursuits
of Wisdom, um belo panorama do pensamento ético da
antiguidade, John Cooper, da Universidade Princeton,
lembra que, entre os gregos, a filosofia era antes de
[15] tudo um modo de vida, um guia para a virtude e a felici-
dade. E, que lindo, não se concebia que pudesse haver
felicidade sem virtude. (...) Na filosofia moderna, o foco
especializado dos pensadores da ética saiu do sujeito e
de suas virtudes (ou falta delas) para se focar em ações:
[20] é certo ou errado comer carne, ou usar o carro para ir
ao trabalho todo dia? Mas a sabedoria fundamental – no
sentido mais substantivo desse adjetivo – da filosofia
grega é incontornável. Marco Zingano, professor do
Departamento de Filosofia da USP, lembra que a ética
[25] das virtudes, proposta sobretudo por Aristóteles, tem
uma relevância especial hoje: “Uma ideia cara à ética
das virtudes é que as decisões devem ser tomadas em
função das circunstâncias, a partir de uma certa sensibili-
dade moral.” Nessa concepção, somos, cada um de nós,
[30] agentes morais: todas as decisões éticas são tomadas
em primeira pessoa, e é inadmissível que a voz de um
agente moral seja usurpada.
Veja, dezembro de 2013, edição 2353 (adaptado).
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, analise a frase “Mas a sabedoria fundamental – no sentido mais substantivo desse adjetivo – da filosofia grega é incontornável” (linhas 21 a 23) e preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso), considerando o contexto.
( ) O “mas” redireciona o desenvolvimento argumentativo, estabelecendo uma oposição entre o que se modificou e o que não pode ser modificado.
( ) O trecho entre travessões apresenta um comentário de natureza metalinguística e poderia ser deslocado para o fim da frase, com os devidos ajustes na pontuação, sem alteração no sentido do texto.
( ) A palavra “substantivo” está empregada, no contexto, com o sentido de “essencial”, “inerente”.
( ) O adjetivo “incontornável” enfatiza a ideia de que nem tudo o que diz respeito à moral é flexível.
O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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