Questão 10 - FDV 2014/2
Texto será norteador para a questão.
TEXTO I – BIOGRAFIA DA DISCÓRDIA
A polêmica sobre as biografias e o direito de publicá-las ganhou ares apoteóticos no mês passado. A discussão vinha se arrastando nos últimos meses com os reveses do projeto de lei no Congresso, que previa o direito de publicação de obras biográficas sem autorização do biografado ou de seus familiares. Embora boa parte dos intelectuais e artistas brasileiros tenha se manifestado contra a exigência da autorização prévia ou a remuneração do biografado – alegando censura à liberdade de expressão –, a causa sofreu um duro golpe com o lobby do grupo “Procure Saber” contra biografias não autorizadas.
Endossado por medalhões da cultura brasileira, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos, entre outros – tendo à frente a produtora (e empresária de Caetano) Paula Lavigne – o grupo defende a autorização prévia para a publicação de biografias e questiona valores pagos por danos morais aos biografados, “num país em que a reparação pelo dano moral é ridícula”, segundo Lavigne.
Como polêmica pouca é bobagem, o político José Dirceu, réu no caso do mensalão, declarou que deve haver limites para a publicação de biografias não autorizadas. O ex-ministro e ex-deputado sentiu na pele o que é ser “alvo” de uma biografia. A obra Dirceu – A Biografia, assinada por Otavio Cabral, da revista Veja, virou case editorial ao ser desconstruída pelo jornalista Mario Sergio Conti, que encontrou erros gravíssimos na obra.
Como se não bastasse, nesse meio tempo o escritor Benjamin Moser, autor da biografia Clarice, publicou uma carta-aberta para Caetano Veloso na Folha de São Paulo, questionando o músico: “Não seja um velho coronel, Caetano. Volte para o lado do bem.” Dias depois, Caetano publicou um artigo n’O Globo, em que tergiversou sobre o assunto, defendendo-se das acusações (“Censor, eu? Nem morta!”) e propondo um meio termo entre “liberdade de expressão e direito à privacidade”.
(BIOGRAFIA da Discórdia. Vírgulas: o universo do Idioma em revista. Revista Língua Portuguesa, São Paulo, ano 9, n.97, nov. 2013, p. 7)
TEXTO II – PERSONALIDADES PROTESTAM CONTRA VISÃO MACHISTA APONTADA EM PESQUISA
A fala de Bernadette Lyra, escritora e cronista, foi escolhida para ser a capa da matéria que aborda a pesquisa do IPEA que mostra que “mais de vinte por cento da população brasileira acredita que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Com a precisão exata de uma escritora e cronista de renome, Bernadette cruza os séculos e defende, de peito aberto, a opinião de que nem tudo são flores e amores para as mulheres. “A mulher é vítima do preconceito e do machismo há milênios. É uma barra pesada lidar com a discriminação e, até hoje, nossa sociedade ainda não aprendeu a lidar com ela. Ainda existe quem pensa que a mulher é para uso doméstico. Estou aqui pronta para participar dessas campanhas contra machismo, racismo e tudo que for contra a discriminação. Igualdade está no respeito à diferença”.
(FEITOSA, Tainã. Personalidades protestam contra visão machista apontada em pesquisa. Revista AG, ano VI, n. 306, 13 abr. 2014. Disponível em: <http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2014/04/entretenimento /revista_ag/1484272-personalidades-protestam-contra-visaomachista-apontada-em-pesquisa.html>. Acesso em: 14 abr. 2014)
Na organização do texto I e do texto II, os autores realizam escolhas de palavras e de sinais de pontuação coerentes com seus propósitos de interação comunicativa. Sobre os recursos semântico-sintáticos e morfológicos e os sinais de pontuação que dão progressão ao texto, assinale o que for incorreto.
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