Questão 48 - UDESC Tarde 2010/1
De acordo com a leitura do excerto e do conto Ao entardecer, de Maria de Lourdes Krieger, responda à questão.
TEXTO 2
Ao entardecer
[1] A chuva bate nas costas desnudas dos pescadores a puxarem os cabos da rede do
arrastão. Alguns veranistas abrigam-se sob improvisados guarda-chuvas. As crianças
entram no mar, cercam a rede e recolhem os peixes que escapam das malhas;
misturam-se: crianças, peixes e água.
[5] Os pescadores andam de costas, em gritos e risos, num código só deles, corpo
arcado para trás, calcanhares se firmando na areia, a cada passada. Ignoram o vozerio
dos espectadores que se agrupam, em prévia disputa.
– Me reserva uma pescadinha, Zé.
– Que vier de lula eu fico.
[10] – Olhaí uma raia. Como dá raia, hein? Diz que tem quem come elas, que tu achas?
A rede na beira da praia, o pedido: Pra trás, faz favor! Os pescadores se juntam,
redobram esforços. O tropeço dos veranistas, a disputa pela minguada colheita, a bulha
das crianças, recolhendo sardinhas que lhes escapam das mãos, o ploc-ploc dos peixes
se debatendo na areia.
[15] – Não esquece eu, Zé! – todos são Zé.
Até Onofre, durante décadas vigia de pesca – ele preferia olheiro, estava mais de
ajuste com sua função – o melhor das praias todas da Ilha, é o que diziam. Ele não
carecia subir no costão ou se esticar na ponta dos pés, largando os olhos inquietos pela
extensão do mar, em busca das manchas reveladoras.
[20] (...)
O olheiro sorri. Quê! Seu amigo Franklin deve é estar contando suas histórias
fantásticas para aquela a quem rendia homenagens: Nossa Senhora do Desterro.
Maria de Lourdes Krieger, em 13 Cascaes, p. 65.
Analise as proposições.
I – Ao entardecer, como o título anuncia, traz um recorte do entardecer na praia, no momento em que a rede do arrastão é puxada. E, entre pescadores, veranistas, crianças e falas entrecortadas, o olheiro Onofre vai recordando os comentários de seu amigo sobre as mudanças sofridas pela Ilha.
II – O eufemismo em “Seu amigo Franklin deve é estar contando suas histórias fantásticas para aquela a quem rendia homenagens: Nossa Senhora do Desterro.” (linhas 21 e 22), suaviza a ideia de que Franklin já está morto.
III – Utilizando-se das lembranças de Onofre em relação a seu amigo, na intersecção do discurso direto com o indireto, o conto também alerta o leitor sobre o problema dos manguezais, verdadeiros criadores de peixes que, aos poucos, estão sendo aterrados pelos homens.
IV – Sabendo-se que o paralelismo consiste na organização de ideias similares numa forma gramatical idêntica, a fim de trazer harmonia e ritmo às frases, pode-se dizer que há paralelismo nestas construções: “A rede...” (linha 11), “o pedido...” (linha 11),
“Os pescadores...” (linha 11), “O tropeço...” (linha 12), “a disputa” (linha 12), “a bulha...” (linha 12), “o ploc-ploc...” (linha 13).
Assinale a alternativa correta:
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