Questão 18 - IFRN 2012/1
TEXTO 1
Educação profissional
Antônio Rocha - Presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra)
Falta mão de obra qualificada no Brasil e sobram motivos para os jovens optarem pela educação profissionalizante. Ter um curso técnico no currículo, hoje, pode significar facilidade de inserção no mercado de trabalho, melhores salários e maiores chances de empregabilidade formal. Antes considerada via de segunda classe, vale a pena enxergar na educação profissional alternativa vantajosa, merecedora de investimentos e atenção por parte das autoridades.
Atualmente, os cursos profissionais, em particular, e a educação, em geral, têm perdido espaço na escolha dos trabalhadores em início de carreira. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Votorantim, o número de jovens de 18 a 24 anos que estão em alguma instituição de ensino caiu de 7,5 milhões para 6,9 milhões, entre 2006 e 2008. Esse dado preocupa, principalmente, porque as empresas não estão encontrando trabalhadores na qualidade desejada.
Os jovens têm deixado de apostar em qualificação à medida que precisam dedicar esforço integral ao trabalho e ao sustento da família. Pesa, contudo, a falta de informações que os ajudem a fazer uma boa escolha. Nesse sentido, a pesquisa da FGV nos mostra que, na corrida por postos de trabalho, o ensino profissionalizante tem sido o caminho mais rápido e eficaz para conseguir emprego. Primeiro, por ser de prazo mais curto e mais fácil de conciliar com o trabalho. Segundo, por representar um diferencial competitivo.
A chance de quem fez ensino profissionalizante conseguir emprego é 48,2% maior do que a de quem estudou somente até o ensino médio e não tem outra qualificação. Ou seja, na grande maioria dos casos, o jovem que apostar na realização de um curso técnico vai sair empregado. Isso mostra como a educação profissional pode ser importante para quem está em dúvida entre continuar estudando ou seguir definitivamente para o mercado. Já o ensino superior, visto por muitos como o único capaz de gerar boas posições, é inalcançável para a maioria dos brasileiros e necessita de muito mais tempo para a conclusão.
Sob esse ponto de vista, as instituições brasileiras e os órgãos governamentais precisam investir na educação profissional como forma de atacar o apagão de mão de obra vivenciado no Brasil e promover cidadania.
[...]
De uma forma geral, o retorno da educação profissional é alto. Mesmo quando se compara com a escolaridade formal, para o trabalhador ter um curso técnico significa melhores condições de salário, ocupação e formalidade. Para a indústria brasileira, trabalhadores bem qualificados representam um setor mais forte e competitivo. Promover a educação profissional e tecnológica é investir no desenvolvimento econômico do Brasil e no bem-estar da população.
Disponível em: . Acesso em: 10 out.2011.
TEXTO 2
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
A educação profissional e tecnológica afirmou-se como política pública, não somente pela consolidação da fonte de financiamento de sua manutenção, mas pelo seu compromisso com a sociedade e pela integração entre ciência, tecnologia, cultura e mercado de trabalho.
Além da expansão de vagas em nível médio integrado, graduação tecnológica, licenciatura e pós-graduação, a política também foi direcionada à elevação de escolaridade de jovens e adultos, com formação inicial e continuada.
Dentre as principais realizações nesta área, destacam-se a criação dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia e uma nova organização da oferta da educação profissional, que consolida, em uma única institucionalidade, a verticalização do ensino, ou seja, a oferta de formação inicial e continuada, técnicos, tecnólogos e licenciatura até a pósgraduação, na perspectiva da construção de um itinerário formativo.
EXPANSÃO DA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
O processo de criação de instituições federais de educação profissional foi restringido com a publicação da Lei nº 9.649/1998, que transferia para entes estaduais, municipais ou privados a administração de qualquer unidade que eventualmente fosse construída. Com a aprovação da Lei nº 11.195/2005, as ações de implantação de novas unidades de ensino técnico/agrotécnico voltaram a ser facultadas à União.
Atualmente são 38 institutos federais com a missão de orientar a oferta de educação profissional e tecnológica como processo educativo e investigativo e fortalecer os arranjos produtivos locais. Eles oferecem vagas em cursos de nível médio, nível médio integrado, licenciatura, superior em tecnologia e pós-graduação. A terceira etapa da Expansão da Rede Federal (2011- 2014) atende às dimensões social, geográfica e de desenvolvimento, priorizando, por exemplo, municípios com alto percentual de extrema pobreza, mesorregiões ainda não contempladas e áreas do entorno de grandes investimentos. Nessa etapa, está prevista a implantação de 208 novos câmpus, contemplando 200 municípios.
A criação de 214 novas unidades, até 2010, representou o alcance de uma capilaridade sem precedentes na educação federal, o que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de cada região do país. Com a criação de mais 208 unidades, em 2014, a rede estará presente em um número de municípios mais de quatro vezes maior que em 2003.

De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas técnicas. Até 2010, foram entregues 214 novas unidades. Além da expansão física, o governo federal modernizou a reorganizou a rede, além de garantir condições técnicas e administrativas para o desenvolvimento da nova política da educação profissional.
A reestruturação da rede e a expansão das unidades possibilitou a duplicação do número de matrículas de 2003 a 2009, como pode ser constatado no gráfico.
Quando as 562 unidades estiverem em pleno funcionamento, serão 600 mil matrículas em toda a rede.

Utilize o trecho a seguir para responder à questão.
De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas técnicas. Até 2010, foram entregues 214 novas unidades. Além da expansão física, o governo federal modernizou e reorganizou a rede, além de garantir condições técnicas e administrativas para o desenvolvimento da nova política da educação profissional.
Sobre os textos desta avaliação, é correto afirmar que
I. o Texto 1 é um texto de opinião predominantemente argumentativo.
II. o Texto 2 é um texto informativo predominantemente explicativo.
III. descrevem a situação da educação profissional no Brasil.
IV. apresentam argumentos em defesa da implantação da educação profissional nos Institutos federais.
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