Questão 16 - UFMT Vestibular 2006/1
O amor sempre é amoroso; mas umas vezes é amoroso e unitivo, outras vezes amoroso e forte. Enquanto amoroso e
unitivo, ajunta as extremidades mais distantes: enquanto amoroso e forte, divide os extremos mais unidos. Quais
são os extremos mais distantes e mais unidos que há no mundo? O nosso corpo, e a nossa alma. São os extremos
mais distantes; porque um é carne, outro espírito: são os extremos mais unidos; porque nunca jamais se apartam.
[5] Juntos nascem, juntos crescem, juntos vivem: juntos caminham, juntos param, juntos trabalham, juntos descansam:
de noite e de dia; dormindo e velando: em todo o tempo, em toda a idade, em toda a fortuna: sempre amigos,
sempre companheiros, sempre abraçados, sempre unidos. E esta união tão natural, esta união tão estreita, quem a
divide? A morte. Tal é o amor: Fortis est ut mors dilectio*. O amor, enquanto unitivo, é como a vida; enquanto
forte, é como a morte. Enquanto unitivo, por mais distantes que sejam os extremos, ajunta-os: enquanto forte, por
[10] mais unidos que estejam, aparta-os.
Antes da Encarnação do Verbo, quais eram os extremos mais distantes? Deus e o homem. E que fez o amor
unitivo? Trouxe a Deus do Céu à Terra, e uniu a Deus com os homens. Depois da Encarnação, quais eram os
extremos mais unidos? Cristo, e os homens. E que fez o amor forte? Leva hoje a Cristo da Terra ao Céu.
* A morte é deleite do forte.
(VIEIRA, A . Sermões. Porto: Lello e Irmão, 1959.)
O Barroco dá especial atenção à sintaxe textual.
A esse respeito, marque a afirmativa INCORRETA.