Questão 13 - Uri Erechim Medicina 2021
TEXTO 4
[…] – A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.
[…] O que me proponho a contar parece fácil à mão de todos. Mas sua elaboração é muito difícil. Pois tenho que tornar nítido o que está quase apagado e mal vejo. […] As pessoas que me lerem terão, pois, a bondade de traduzir isto em linguagem literária, se quiserem. Se não quiserem, pouco se perde. Não pretendo bancar escritor. É tarde para mudar de profissão. E o pequeno que ali está chorando necessita quem o encaminhe e lhe ensine as regras de bem viver.
Fonte: RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009.
TEXTO 5
Pretendo, como já insinuei, escrever de modo cada vez mais simples. Aliás o material de que disponho é parco e singelo demais, as informações sobre a(s) personagem(s) são poucas e não muito elucidativas, informações essas que penosamente me vêm de mim para mim mesmo, é trabalho de carpintaria.
Sim, mas não esquecer que para escrever não-importa-o-quê o meu material básico é a palavra. Assim é que esta história será feita de palavras que se agrupam em frases e destas se evola um sentido secreto que ultrapassa palavras e frases. É claro que, como todo escritor, tenho a tentação de usar termos suculentos: conheço adjetivos esplendorosos, carnudos substantivos e verbos tão esguios que atravessam agudos o ar em vias de ação, já que palavra é ação, concordai?
Fonte: LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 20-21.
As afirmações que seguem, referem-se aos Textos 4 e 5.
I. O narrador do Texto 5, Rodrigo S. M., assume o papel de criador de personagens sobre as quais detém todas as informações, uma vez que resultam de sua imaginação: “me vem de mim para mim mesmo”.
II. Conforme o Texto 4, a criação de Paulo Honório será expressa numa linguagem sem enfeites, seca, direta, reduzida ao essencial, o que ilustra a tendência da segunda fase do modernismo: o uso de uma linguagem coloquial, brasileira.
III. Os dois narradores/autores têm em comum o mergulho na alma humana, no que ela tem de mais sombrio, aprofundando aspectos psicológicos, além de tratarem de questões sociológicas.
IV. Os dois Textos ilustram dois estilos de época: realismo e modernismo
Está correta a alternativa:
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