Questão 24 - UFPel PAVE - Etapa 3 2021
Para a resolução da questão, leia atentamente os três textos a seguir.
Texto I
Retirantes, de Candido Portinari (1944) MASP.

Referência: https://masp.org.br/busca?search=retirantes. Acesso em: 20/02/2022.
Texto II — Fragmento de Vidas Secas.
Olhou as cédulas arrumadas na palma, os níqueis e as pratas, suspirou, mordeu os beiços. Nem lhe restava o direito de protestar. Baixava a crista. Se não baixasse, desocuparia a terra, largarseia com a mulher, os filhos pequenos e os cacarecos. Para onde? Hem? Tinha para onde levar a mulher e os meninos? Tinha nada! Espalhou a vista pelos quatro cantos. Além dos telhados, que lhe reduziam o horizonte, a campina se estendia, seca e dura. Lembrouse da marcha penosa que fizera através dela, com a família, todos. Haviam escapado, e isto lhe parecia um milagre. Nem sabia como tinham escapado. Se pudesse mudarse, gritaria bem alto que o roubavam. Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura. Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa. — Um dia um homem faz besteira e se desgraça.
Referência: RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Disponível em: https://cs.ufgd.edu.br/download/Vidas%20Secas%20 %20Graciliano%20Ramos.pdf. Acesso em 20/02/2022.
Texto III — Fragmento de Torto Arado.
Chegamos à fazenda há muitos anos, cada um aqui sabe como foi. Essa história já foi repetida muitas vezes. Mil vezes. Muitos de nós, a maioria, posso dizer, nasceram nesta terra. Nasceram aqui, nesta terra que não tinha nada, só o nosso trabalho. Isto tudo aqui só existe porque trabalhamos esta terra. [...] Desde os dez mil escravos que o coronel Horácio de Matos usou para encontrar diamante e guerrear com seus inimigos. Quando deram a liberdade aos negros, nosso abandono continuou. O povo vagou de terra em terra pedindo abrigo, passando fome, se sujeitando a trabalhar por morada. A mesma escravidão de antes fantasiada de liberdade. Mas que liberdade? Não podíamos construir casa de alvenaria, não podíamos botar a roça que queríamos. Levavam o que podiam do nosso trabalho. Trabalhávamos de domingo a domingo sem receber um centavo. O tempo que sobrava era para cuidar de nossas roças, porque senão não comíamos. Era homem na roça do senhor e mulher e filhos na roça de casa, nos quintais, para não morrerem de fome. Os homens foram se esgotando, morrendo de exaustão, cheios de problemas de saúde quando ficaram velhos.
Referência: VIEIRA Jr. Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2021.
Considerando os três textos e suas relações sócio-histórico-político-culturais com as áreas predominantemente rurais do Brasil, assinale a assertiva correta.
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