Questão 12 - UEG Conhecimentos Gerais 2026/2
Leia os textos a seguir para responder à questão
Texto 1
As ideias filosóficas e sociológicas e o desenvolvimento científico e técnico da época colaboraram para a agitação espiritual e intelectual dos escritores e demais artistas, que se dividiam entre passado e futuro, o que motivava investigações em todos os campos da arte e transformava os primeiros anos do século XX no cenário das mais revolucionárias experiências de arte e de literatura, e foi por pertencer a este contexto que o nome vanguarda foi tão bem aceito.
[...]
No Brasil, como ressonância direta das estéticas vanguardistas europeias, Cecília Meireles cria uma produção poética congregando várias correntes que inauguram o pensamento moderno nas artes mundiais. Classificada pelos críticos como neossimbolista, neoexpressionista e até mesmo surrealista, Meireles consegue atingir uma expressividade poética universal ao trabalhar com símbolos, correspondências que sugerem estados da alma humana e questões psicológicas que envolvem sonhos, delírios, ilogismo, sensações que convergem para a expressão do mundo interior.
SILVA, Marcela Verônica da; SILVA, Mariana Matheus Pereira da; SANTOS JUNIOR, Moisés Gonçalves dos. As vanguardas europeias na criação estética de Anita Malfatti e Cecília Meireles: um estudo interartes. Só Letras, n. 24, p. 116-128, 2012.
Texto 2
Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 207-208.
Texto 3
Desenho do Sonho
Eu, mulher dormente,
na líquida noite
alargo a ramagem de meus cabelos verdes.
Sigo dentro desse cristal ondulante,
contida como o som dos sinos imóveis.
Surda é a transparência do mundo que ocupo,
onde vago, em vigilância do eterno,
livre do efêmero visível e tranquila,
e embora incomunicável,
em solidão feliz.
Eu, mulher dormente, de olhos fechados
estou vendo essas paredes fluidas que caminham comigo mesma,
na cristalina arquitetura:
muralha de sucessivos patamares à luz de nenhum sol.
Espelhos de quartzo verde
em que me reconheço admirada, de olhos abertos desde sempre,
para sempre,
desenhando-me involuntária,
buscando-me exata,
fugindo-me nesta caligrafia que não alcanço.
Ah! dos meus verdes cabelos
sobem agora ramos de rosas,
alta coroa de retrato submerso,
frágil e melancólica,
e já me esqueço do que vou sonhando.
E nem suspiro
se as flores se desfolharem nesse planeta de silêncio.
MEIRELES, Cecília. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 1264-1265.
A poética de Cecília Meireles apresenta traços que indicam o encontro de algumas correntes de vanguarda, especialmente o Surrealismo, o Expressionismo e o Simbolismo.
Considerada uma neossimbolista, Cecília Meireles constrói uma poética carregada de símbolos e sinestesias, elementos que podem ser encontrados, respectivamente, nos seguintes recortes:
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