Questão 5 - UEG Conhecimentos Gerais 2026/2
Mulheres são mais empáticas que os homens? O que diz a ciência.
De modo geral, algumas características humanas são descritas como naturalmente femininas, e outras como mais masculinas. Uma característica frequentemente associada ao gênero feminino é a empatia. Supõe-se que mulheres são empáticas por natureza, enquanto homens que demonstram mais empatia costumam ser considerados fracos. Por que isso ocorre? Será verdade que mulheres são naturalmente mais empáticas do que os homens, ou somos socializadas para o sermos?
A empatia envolve tanto a capacidade de compreender os pensamentos e sentimentos dos outros quanto a de responder de forma adequada. Também pode ser entendida em termos de empatia cognitiva — a habilidade de reconhecer emoções e adotar a perspectiva alheia — e de empatia afetiva ou emocional, quando reagimos emocionalmente aos pensamentos e sentimentos de alguém.
Os cientistas utilizam diversos métodos para medir empiricamente a empatia, incluindo questionários e tarefas experimentais. E há muito se observa que, em média, mulheres tendem a obter pontuações consistentemente mais altas do que homens. Simon Baron-Cohen, psicólogo clínico da Universidade de Cambridge (Reino Unido), argumenta que isso ocorre porque o cérebro feminino é "predominantemente programado para a empatia", o que tornaria as mulheres especialmente aptas para as funções de cuidado, enquanto o cérebro masculino seria "predominantemente programado para compreender e construir sistemas".
O psicólogo sugere, no entanto, que a exposição a hormônios no útero desempenha um papel no desenvolvimento social. Em um estudo de 2006, ele constatou que os níveis de testosterona no líquido amniótico durante a gestação — mais elevados em fetos do sexo masculino do que nos do sexo feminino — estão diretamente correlacionados ao desempenho das crianças em testes cognitivos de sistematização, definida como a capacidade de analisar regras ou padrões. De fato, a exposição à testosterona no útero se mostrou um preditor mais forte do desempenho nos testes do que o sexo da criança isoladamente.
Um estudo semelhante, de 2007, também mostrou que a exposição fetal à testosterona estava inversamente correlacionada às pontuações em testes de empatia. Muitos outros pesquisadores, como a neurocientista britânica Gina Rippon, consideram problemática essa teoria hormonal. Em outro estudo, considerado paradigmático, que identificou diferenças de gênero em tarefas de empatia, as discrepâncias não foram grandes: mulheres apresentaram maior empatia em 36 dos 57 países analisados, mas, em 21 países, as pontuações foram muito semelhantes, e os autores da pesquisa afirmaram que "não podem determinar causalidade".
Um estudo genético de grande escala, de 2018, com mais de 46 mil participantes que responderam a um questionário e enviaram amostras de DNA, sugeriu que os genes desempenham algum papel no grau de empatia de uma pessoa. No entanto, nenhum desses genes está associado ao sexo do indivíduo. Isso indica que o ambiente em que alguém cresce e vive também exerce influência.
Outro fator relacionado à empatia é a socialização. Mulheres tendem a demonstrar mais traços de empatia, não por serem inatos, mas porque são socializadas, desde meninas, a agir de acordo com as próprias emoções e a priorizar as necessidades dos outros. Meninas costumam receber brinquedos que enfatizam habilidades mais delicadas e de cuidado, enquanto meninos recebem ferramentas e carrinhos de brinquedo.
Diversos estudos também indicam que o poder distorce a empatia e inibe a capacidade de senti-la. Como homens historicamente detiveram mais poder do que mulheres — e ainda o fazem nos negócios e na política —, tendem, por isso, a experimentar níveis mais baixos de empatia. Por outro lado, pesquisas mostram que pessoas em situação de menor poder econômico são mais capazes de reconhecer emoções. O fato de mulheres apresentarem pontuações mais altas em empatia pode, portanto, decorrer da necessidade de serem altamente perceptivas em relação àqueles que detêm poder, somada à sua própria posição relativa de menor poder. O ponto central é que a empatia pode ser aprendida, segundo Nathan Spreng, neurologista da Universidade McGill, em Montreal (Canadá).
Mas há também o lado negativo da empatia. Segundo Hodges, da Universidade do Oregon, a empatia não é apenas uma habilidade interpessoal usada para fins positivos — ela também pode ser empregada para manipular ou explorar outras pessoas. Felizmente, a narrativa sobre a importância das habilidades emocionais entre homens e mulheres vem mudando lentamente e inclui o reconhecimento da relevância da empatia e das responsabilidades de cuidado, segundo Niall Hanlon, sociólogo da Universidade Tecnológica de Dublin (Irlanda). "De modo geral, os homens e os meninos são socializados para não enxergar o cuidado com os filhos da mesma forma que as mulheres e as meninas, como se isso não fizesse parte da trajetória de ser homem", afirma Hanlon.
HOGENBOOM, Melissa. Mulheres são mais empáticas que os homens? O que diz a ciência. BBC Future. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yqxp9v87go. Acesso em: 23 fev. 2026. (Adaptado).
Considerando a função social do excerto, predominam sequências características da modalidade de texto
![[Marketing] Primeira Questao](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6e09902a8e108d73cce3c7b9272eb1de_simulado_home_treineiro_desk.png)