Questão 1 - IDOMED Unificado medicina - online (edital 3) 2025/2
O que ninguém pode roubar de você
(1.º§) O mundo celebra especialistas em tarefas com a mesma paixão com que ignora os mestres da presença.
(2.º§) Vivemos na era do "como fazer": como falar com empatia, como sorrir com carisma, como apertar a mão com firmeza de CEO vegano e coração de planilha.
(3.º§) Tudo — absolutamente tudo — virou script. Até o afeto agora tem tutorial, e ser você mesmo virou workshop com link na bio e coffee break.
(4.º§) A vida virou palco e cada um encena a si mesmo com o desespero de quem precisa de aprovação para continuar existindo.
(5.º§) Mas a verdade é simples, crua, quase violenta: qualquer um pode aprender o que você faz.
(6.º§) Dê tempo e um pouco de disciplina, e lá estão eles copiando seu tom de voz, seu jeito de escrever e até criar emojis estrategicamente posicionados entre deadlines e posts motivacionais.
(7.º§) Sim, podem até copiar seu ofício, mas jamais conseguirão imitar sua presença.
(8.º§) Porque há algo que não se baixa em PDF, não se aprende em mentoria, não se ensina no TikTok: o jeito com que a sua alma entra na sala.
(9.º§) O modo como você oferece um café como se fosse um abraço quente. A maneira como seus olhos escutam antes da boca. O silêncio que você oferece quando o mundo grita demais.
(10.º§) Isso não se copia.
(11.º§) Não se ensaia.
(12.º§) Não se explica.
(13.º§) Se sente.
(14.º§) Você pode ser substituível no cargo — mas é insubstituível na forma como faz os outros se sentirem humanos de novo.
(15.º§) Aristóteles, em sua Ética a Nicômaco, já dizia: "Somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito."
(16.º§) Mas há algo além do hábito: a intenção. E a intenção... ah, essa é como o perfume das pessoas que já se foram no ar, mesmo depois da ausência.
(17.º§) Me lembro da minha avó. Tinha pouco estudo, mas uma sabedoria que nenhuma pós-graduação explica. Sabia o exato momento de dizer "fica aqui", quando o mundo estava desabando dentro de mim. Sabia onde guardar as palavras e quando deixar o silêncio falar mais alto.
(18.º§) Na padaria do bairro, o padeiro mudou três vezes. Mas nenhum deles embala o pão como o primeiro, que parecia oferecer um pedaço de afeto dentro de cada saco de papel. Era mais do que pão — era memória com crosta dourada.
(19.º§) É disso que estou falando.
(20.º§) Você pode esquecer o nome do gestor do trimestre passado, mas jamais esquece quem te fez rir num dia ruim. Pode não lembrar da planilha perfeita, mas jamais esquece quem te olhou nos olhos quando você estava prestes a desistir. Caráter é como cheiro de bolo no fim da tarde: não se vê, mas invade a casa inteira.
(21.º§) Olhe para o mundo corporativo: lá, os cargos são recicláveis, mas gentileza virou item raro. Na amizade, conselhos são abundantes, mas quem oferece escuta virou raridade. No amor, trocam-se corpos como se fossem avatares, mas quem tocou sua alma com leveza, esse permanece. Mesmo quando vai embora.
(22.º§) Você não é único por suas competências. Você é único por aquilo que sua presença desperta nos outros. E isso, meus caros, não se compra, não se terceiriza, não se automatiza.
(23.º§) Um dia, alguém vai ocupar sua cadeira. Vai digitar com mais agilidade, vai usar IA para entregar relatórios antes do prazo. Mas jamais ocupará o espaço invisível que você deixa no coração de quem sentiu sua humanidade, mesmo sem saber explicar.
(24.º§) Não é o que você fez que ecoa — é o que você provocou. É o arrepio que ficou depois da conversa. É a paz que sua presença deixou no caos do outro. É o toque sem toque. A presença que ficou mesmo depois da ausência.
(25.º§) Como escreveu Clarice Lispector, "O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."
(26.º§) E isso... Isso ninguém vai roubar. Mesmo em um mundo lotado de larápios, disfarçados de influenciadores, CEOs, especialistas, palestrantes motivacionais e outros vendedores de vento. Você não é algoritmo. Você é alma. E onde há alma, algo há que jamais será replicável.
(27.º§) E que fique claro: esse não é um texto de autoajuda. É uma verdade crua, quente e quase esquecida. Uma reflexão sobre a urgência de voltarmos a ser gente no meio do caos. Um lembrete de que, no fim, a única marca que realmente deixamos no mundo... é a que deixamos no outro.
DAROIT, Felipe. "O que ninguém pode roubar de você”. Instagram, 20 de maio de 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/p/ DLKb0KOOxxU/?img_index=1. Acesso em: 17 de jul. de 2025. (Adaptado).
Após a leitura integral do texto, pode-se depreender que seu macrobjetivo é:
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