Questão 6 - IDOMED Medicina 2024/2
VOLTA DE DOENÇAS CONTROLADAS AMEAÇA SAÚDE DAS CRIANÇAS BRASILEIRAS
Doenças como poliomielite e sarampo já foram eliminadas no país, mas podem voltar pela falta de vacinação
Desde 2016, o Brasil sofre uma queda nos índices de vacinação e, desde 2020, a cobertura vacinal total da população não chega a 70%, de acordo com o DataSUS. Estes dados são alarmantes, visto que o objetivo do Ministério da Saúde é manter as taxas em 95%. Dentre os índices afetados, estão os das vacinas que evitam doenças infantis como a poliomielite e o sarampo, ambas abaixo da meta. Essas doenças já foram eliminadas ou controladas no país, no entanto, o constante declínio da cobertura vacinal aumenta o risco de retorno dessas enfermidades.
A poliomielite, por exemplo, foi erradicada do território nacional em 1994, então são quase 30 anos sem casos detectados. Porém, o país tem alto risco de reintrodução da doença. Em apenas 10 anos a cobertura vacinal da poliomielite foi de 96,5% em 2012 para 77% em 2022, uma queda de aproximadamente 20%. O sarampo também é uma doença que ameaça voltar. As campanhas de vacinação levaram o Brasil a conquistar o certificado de eliminação da doença em 2016, mas três anos depois, em 2019, o país perdeu o reconhecimento. Naquele ano, o país registrou 81,5% de cobertura vacinal, mas desde então os índices caíram e em 2022 a cobertura foi de apenas 53% conforme dados do DataSUS.

Para a infectologista pediátrica do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Maria Clara Valadão, o cenário é preocupante. A médica relata que nos últimos anos se tornou comum atender pacientes com o calendário vacinal incompleto. “Às vezes não é a total falta da vacinação, mas a falta dos reforços, a falta de completar o calendário, muitas vezes a criança não tomou todas as doses necessárias”. De acordo com o relatório “Situação Mundial da Infância 2023: Para cada criança, vacinação” lançado pelo UNICEF em abril deste ano, 1,6 milhão de crianças brasileiras não receberam nem a primeira das três doses da vacina contra a pólio entre 2019 e 2021.
O médico epidemiologista e professor de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Marcos Lobato, explica que a eliminação é diferente da erradicação. Para uma doença ser considerada erradicada é preciso que ela desapareça no mundo todo, já a eliminação diz respeito a um local específico onde não têm mais relatos de casos. Por isso, as baixas taxas de imunização acendem um alerta para o risco de novos surtos e reinserção de doenças que já haviam sido eliminadas no Brasil.
A pediatra Maria Clara destaca que a volta de doenças eliminadas vai impactar muito o Sistema Único de Saúde (SUS) e os hospitais públicos. “Praticamente todos os hospitais públicos do nosso país sofrem com a deficiência de leitos de UTI e de UTI pediátrica. A nossa UTI está sempre superlotada e isso gera muitos problemas também de infecção hospitalar” ressalta.

Para a pediatra Maria Clara um dos fatores da queda dos índices de imunização é a própria eficácia das vacinas, pois como os casos diminuem as pessoas tendem a esquecer da existência de algumas doenças e de como elas podem ser graves. Além disso, para a médica, o movimento antivacina e a desinformação também contribuíram para esse cenário. “O negacionismo contribuiu para que as pessoas começassem a desconfiar do processo vacinal que é extremamente seguro. Ele influenciou na decisão de várias famílias de não vacinar ou adiar as imunizações. Outro fator é a desinformação, eu tenho atendido muitas famílias que não levaram a criança para vacinar porque ela estava resfriada e isso não é uma contra indicação para a imunização”, relata a infectologista.
O professor Lobato destaca que problemas na gestão da saúde pública também contribuíram para a queda dos índices. Entre eles a aprovação do teto de gastos em 2016 e o congelamento nos investimentos e gastos com saúde pelo governo federal. O especialista acredita que agora é preciso retomar as campanhas de educação para a saúde e conscientizar as crianças sobre a importância da vacina. Por exemplo, o médico relembra o sucesso de personagens como o “Zé Gotinha” para aumentar os índices vacinais.
Adaptado de https://www.ufsm.br/midias/arco/volta-de-doencas-controladas. Acesso em 25 de fev de 2024.
Sobre os termos “erradicar” e “eliminar” quando se referem a doenças, é correto afirmar que, no texto:
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