Questão 6 - IDOMED RIO e FAMEJIPA 2024/1
TEXTO I
Cigarros eletrônicos aumentam em 42% as chances de o usuário ter um infarto
(1.º§) De acordo com Stella Martins, especialista em dependência química da área de Pneumologia no Hospital das Clínicas (HC) da USP, usuários de cigarro eletrônico têm 42% de chance a mais de terem um infarto do que aqueles que não fazem uso do produto. Os cigarros eletrônicos possuem o que é denominado de supernicotina, que é o sal de nicotina, muito mais potente que a substância presente nos cigarros tradicionais.
(2.º§) O grande diferencial do eletrônico para o tradicional é que no primeiro, no lugar do tabaco macerado, é aquecida a nicotina líquida. Stella explica que o cigarro tradicional no Brasil tem um limite de 1 mg de nicotina por cada cigarro, enquanto os eletrônicos, que são pequenos e se assemelham a um pen drive, chegam a até 57 mg da substância por ml do líquido.
(3.º§) “É uma quantidade absurda de nicotina que está sendo entregue aos jovens, que, muitas vezes, nem fumavam”, expõe a especialista. “As políticas de controle do tabagismo no Brasil são reconhecidas internacionalmente, porque a nossa população sabe que fumar cigarro [tradicional] faz mal. Mas, infelizmente, ela está pouco orientada de que o cigarro eletrônico traz muito dano à saúde pulmonar também”, complementa.
(4.º§) Um dos motivos pelos quais os usuários desconhecem os malefícios causados por esse tipo de cigarro é que ele aparenta ser mais “suave”, devido aos aditivos que são colocados, como aromas e sabores agradáveis. “Quem está do lado não sente o desconforto da fumaça do cigarro”, diz Stella. Além disso, a nicotina é mais rapidamente absorvida pelo pulmão e pelo cérebro, liberando a dopamina e aumentando a sensação de prazer e bem-estar.
Dependência química, comportamental e psicológica
(5.º§) Segundo a especialista, o tratamento da dependência também é complicado: "No passado, quando alguém falava que parou de fumar, a gente entendia que a pessoa estava com a dependência tratada, não estava mais com a nicotina de forma alguma. Hoje em dia, a sensação 'parou de fumar' passou a ser entendida como 'não uso mais o cigarro tradicional, mas estou usando cigarro eletrônico'", completa.
(6.º§) Ela alerta que o controle da dependência não envolve apenas o controle da substância química, mas também é preciso tratar a dependência comportamental e a psicológica, como o ato de fumar em momentos de ansiedade, em festas ou mesmo após tomar um café, fatores gatilho para o usuário.
(7.º§) As consequências do uso do cigarro eletrônico são enormes. Stella informa que ele obstrui as vias aéreas e os aditivos presentes lesionam o coração, levando à obstrução, também, da parede das artérias que conduzem o sangue e, assim, é facilitada a formação de trombos.
(8.º§) A pneumologista reforça a conscientização acerca do cigarro e recomenda buscar ajuda com um profissional especializado em casos de dependência: "A gente tem uma ampla rede de tratamento com medicamentos na rede SUS. A orientação que fica é que [o usuário] não tente parar sozinho".
Adaptado de Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/cigarros-eletronicosaumentam-em-42-as-chances-do-usuario-ter-um-infarto/. Acesso em 30 set 2023.
TEXTO II
Cigarros eletrônicos geram debate sobre sua eficácia no combate ao tabagismo
(1.º§) Nos últimos tempos, principalmente entre os jovens, o uso do cigarro eletrônico, conhecido também como vape ou pod, se tornou um hábito comum. No Brasil, a comercialização do produto é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, o que não impede sua venda de forma ilegal e muito simples por meio de lojas físicas e on-line. Por outro lado, o governo do Reino Unido aposta no produto como forma de diminuir o número de usuários do cigarro comum e incentiva o seu uso.
(2.º§) No Brasil, mesmo com a proibição do comércio dos cigarros eletrônicos, um levantamento recente do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) aponta que mais de 2 milhões de adultos utilizam o produto, o que indica a ineficácia das medidas de proibição. Já o governo inglês, em abril deste ano, apresentou um pacote de medidas com o objetivo de distribuir gratuitamente 1 milhão de kits de cigarros eletrônicos para sua população, em uma tentativa de diminuir as taxas de tabagismo na Inglaterra para menos de 5% até 2030. A medida gerou polêmica sobre se essa seria ou não uma boa forma para abandonar o vício.
(3.º§) O especialista comenta que a medida adotada pelo Reino Unido, por simular a maneira de fumar, ou seja, o indivíduo mantém o hábito de levar o dedo na boca e todo o ritual do momento, seria uma forma mais efetiva para deixar o vício, isso quando comparado a métodos como reposição de nicotina através de adesivos ou até mesmo a gomas de mascar. No entanto, esse é um argumento ainda sem evidências, visto que a pessoa que opta pelo cigarro eletrônico ainda fica dependente da nicotina. "É diferente do tratamento, quando se usam as drogas habituais, com uma abordagem psíquica comportamental, e usamos medicamentos por tempo determinado", esclarece Santos.
(4.º§) Os estudos recentes mostram que a maioria dos indivíduos que transitaram do cigarro normal para o cigarro eletrônico, ainda que conseguissem parar completamente o uso do produto comum, “continuaram inalando altas doses de nicotina pelo uso do cigarro eletrônico”, afirma o pneumologista.
(5.º§) Além disso, Santos comenta que é comum que as pessoas permaneçam usando os dois tipos de cigarro. O alto valor dos vapes, quando comparados ao cigarro normal, é um dos principais fatores para isso acontecer. “O indivíduo não tem dinheiro para comprar o cigarro eletrônico e opta pelo produto mais barato", esclarece o pneumologista."
(6.º§) O médico conta que a Divisão de Pneumologia do Hospital das Clínicas da FM em São Paulo não recomenda o uso do cigarro eletrônico como forma de tratamento para parar com o uso do cigarro comum. “Existem formas clássicas e bem documentadas, em estudos exaustivos em todo o mundo, sobre medicamentos e drogas que podem ser utilizadas por tempo determinado para ajudar as pessoas a parar de fumar", comenta Santos. Além disso, o acompanhamento neurocomportamental é realizado para ajudar o fumante a se livrar do vício, acrescenta. “O tratamento com o cigarro eletrônico não visa a parar a dependência da nicotina, o objetivo é parar o uso do cigarro comum”, finaliza o médico.
Adaptado de Jornal USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/cigarros-eletronicos-geramdebate-sobre-sua-eficacia-no-combate-ao-tabagismo/. Acesso em 30 set 2023.
A mensagem veiculada nesses dois textos permite afirmar que os enunciadores:
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