Questão 6 - IDOMED Medicina 2021/2
Diplomacia do pingue-pongue
(1º§) Há 50 anos, no auge da Guerra Fria, o Japão sediava o campeonato mundial de pingue-pongue. O que deveria ser um evento sem nenhuma relevância política serviu de palco para uma das manobras diplomáticas mais fascinantes e consequentes da nossa era. Abriu-se um novo capítulo na história do relacionamento entre EUA e China.
(2º§) Num dado momento durante a competição, o jogador americano Glenn Cowan entrou, por engano, no ônibus que conduzia a equipe chinesa de pingue-pongue. O ônibus partiu. No caminho, com a ajuda de um intérprete, o campeão mundial Zhuang Zedong puxou conversa com o americano. Presenteou-o com imagens de montanhas pintadas em seda.
(3º§) Devidamente alertada, a imprensa estava pronta para registrar o momento em que o ônibus chegasse ao destino. Circularam no mundo as fotos do encontro inusitado – e amistoso – entre representantes de países cujas relações diplomáticas estavam rompidas havia duas décadas.
(4º§) A dois dias do fim da competição, o time chinês surpreendeu a equipe americana com um convite para visitar a China. Foi basicamente assim, quase de supetão – mas com diplomacia ousada nos bastidores –, que ocorreu a primeira visita oficial de uma delegação americana à China em mais de 20 anos.
(5º§) Em 14 de abril de 1971, no Grande Salão do Povo em Pequim, o time americano foi recebido pelo primeiro-ministro Zhou Enlai. Diante de jovens americanos estáticos, o premiê anunciou: “Vocês inauguraram um novo capítulo na história dos povos da China e dos EUA”.
(6º§) A chamada diplomacia do pingue-pongue serviu de catalisador para aproximar China e Estudos Unidos que, naquele momento, tinham na União Soviética um inimigo comum.
(7º§) O pingue-pongue ajudou a preparar o público para a ideia de uma reaproximação. Humanizou uma relação vista até então apenas pelo ângulo geopolítico. Mais que uma distração, ajudou os dois lados a deixarem as diferenças de lado. De lá para cá, o mundo assistiu à ascensão e queda do relacionamento entre as potências.
Fonte: Tatiana Prazeres. Adaptado de Folha de S. Paulo, 16 de abril de 2021.
“O que deveria ser um evento sem nenhuma relevância política serviu de palco para uma
das manobras diplomáticas mais fascinantes e consequentes da nossa era” (1º§)
Na frase, o emprego da forma verbal “deveria” destaca uma perspectiva baseada na relação descrita pelo seguinte par de palavras:
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