Questão 8 - INSPER Processo Seletivo (Reaplicação) 2026/1
Leia um trecho do livro Criação imperfeita, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.
Não é fácil para um cientista abandonar a simetria nos seus estudos dos fenômenos naturais e dos objetos do mundo. Existem pelo menos duas excelentes razões para isso. A primeira é que a simetria é uma ferramenta extremamente poderosa para descrever a Natureza. Da cosmologia à física de partículas, muito do que aprendemos depende, de alguma forma, da manifestação de tipos diversos de simetrias. Sistemas que exibem simetrias são muito mais fáceis de ser analisados matematicamente; equações simétricas têm soluções mais simples. Às vezes, ao impormos um tipo especial de simetria num sistema físico, fazemos previsões que são confirmadas espetacularmente por experimentos. É como se o pensamento humano pudesse antever os mecanismos da Natureza, apreender a estética que existe na ordem natural das coisas. Isso é particularmente verdade na química e na física de partículas. Impondo certos tipos de simetria nas teorias que descrevem como as partículas de matéria interagem entre si, físicos foram capazes de prever a existência de novas partículas, que ainda não eram conhecidas.
A outra razão para o nosso amor pela simetria é a sua beleza. É bem verdade que beleza não é fácil de ser definida, mesmo dentro de um contexto científico. Em geral, uma teoria considerada bela combina simplicidade e poder explanatório: baseada num número mínimo de suposições, é capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos naturais. Uma teoria bela é, também, mais próxima de uma teoria perfeita: se uma das peças é removida, o edifício inteiro despenca. Como Weinberg escreveu em Sonhos de uma teoria final: “A beleza que encontramos em teorias como a relatividade geral ou o Modelo Padrão [das partículas elementares] é como a beleza conferida a algumas obras de arte, que são ditas belas pelo senso de inevitabilidade que têm — o senso de que não é possível mudar sequer uma nota ou uma pincelada ou uma linha.”
É muito importante que o leitor compreenda que este livro não é um manifesto contra a simetria. Isso seria tanto tolo quanto errado. A simetria é, e continuará a ser, um ingrediente fundamental de nossas teorias. Ela simplifica as coisas e, ao menos no senso definido acima, nossas teorias físicas são belas também. Muitas estruturas na Natureza são simétricas. Basta olharmos para um girassol, uma formiga ou um cristal de quartzo para apreciarmos isso. O problema começa quando a noção de simetria é exagerada e entronizada como dogma.
(Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza, 2024. Adaptado.)
Constata-se, por meio do emprego de um pronome, uma manifestação explícita do autor em seu próprio texto em:
![[Marketing] Primeira Questao](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6e09902a8e108d73cce3c7b9272eb1de_simulado_home_treineiro_desk.png)