Questão 51 - UEMS 2026
Leia o trecho a seguir, do cronista Pero de Magalhães Gândavo, em sua obra História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil, de 1576.
A gente desta terra são de cor branca, e cabelo corredio; têm o rosto amassado, e algumas feições dele à maneira de chins [asiáticos]. Pela maior parte são bem dispostos, rijos e de boa estatura; gente muito esforçada, e que estima pouco morrer, temerária na guerra, e de muito pouca consideração: são mal agradecidos em grande maneira, e muito desumanos e cruéis, inclinados a pelejar, e vingativos por extremo. [...] Vivem todos muito descansados sem terem outros pensamentos senão de comer, beber, e matar gente [...]. São muito inconstantes e mutáveis: crêem de ligeiro tudo aquilo o que lhes persuadem [...]. São muito desonestos e dados à sensualidade, e assim se entregam aos vícios como se neles não houvera razão de homens [...]. Não tem Fé, nem Lei, nem Rei, e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta, nem peso, nem medida. [...] Esta gente não tem entre si nenhum rei, nem outro gênero de justiça, senão um principal em cada aldeia, que é como capitão, ao qual obedecem por vontade, e não por força.
(GÂNDAVO, Pero de Magalhães de. História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil (1576). Brasília: Senado Federal, 2008. p.133-134. Adaptado)
O trecho é um exemplo representativo da mentalidade europeia no início da colonização da América. A partir da análise do relato de Gândavo, nota-se que a visão de mundo que fundamentou a relação de dominação e o conflito com os povos indígenas se caracterizava, essencialmente:
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