Questão 2 - UFAM PSC 3 etapa 2026
Considere os excertos a seguir para responder à questão:
DESBASTE DA INFÂNCIA: ENCONTRANDO A ESTÁTUA NO BLOCO DE MÁRMORE
Por toda nossa infância, nosso ambiente refina o cérebro, tomando uma selva de possibilidades e dando-lhe forma para que corresponda àquilo a que fomos expostos. Nosso cérebro forma menos conexões, porém mais fortes.
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Por exemplo, o idioma a que você é exposto na infância (digamos que seja o inglês, não o japonês) refina sua capacidade de ouvir os sons específicos de sua língua e piora a capacidade de ouvir os sons de outros idiomas. Isso significa que um bebê que nasce no Japão e outro que nasce nos EUA podem ouvir e reagir a todos os sons em ambas as línguas. Com o passar do tempo, o bebê criado no Japão perderá a capacidade de distinguir, digamos, entre os sons do R e do L, que não são diferenciados no japonês. Somos esculpidos pelo mundo em que por acaso vivemos.
O JOGO DA NATUREZA
Em nossa infância prolongada, o cérebro corta continuamente suas ligações, moldando-se às particularidades do ambiente. Esta é uma estratégia inteligente para combinar um cérebro com seu ambiente, mas também tem seus riscos. Se o cérebro em desenvolvimento não está em um ambiente adequado e “esperado” – um ambiente em que uma criança seja alimentada e receba cuidados –, ele enfrenta dificuldades para se desenvolver normalmente. É algo que a família Jensen, de Wisconsin, viveu na própria pele. Carol e Bill Jensen adotaram Tom, John e Victoria quando as crianças tinham quatro anos. As três eram órfãs que suportaram condições pavorosas em orfanatos estatais na Romênia até a adoção – e sofreram consequências no desenvolvimento cerebral.
Quando os Jensen escolheram as crianças e pegaram um táxi para sair da Romênia, Carol pediu ao taxista para traduzir o que elas diziam. O motorista explicou que não dava para entender aquele falatório porque não era uma língua conhecida. Famintas de interação normal, as crianças desenvolveram um dialeto estranho. Conforme cresceram, tiveram de lidar com dificuldades de aprendizado e com as cicatrizes das privações que sofreram na infância. Tom, John e Victoria não se lembram muito dos tempos da Romênia. Porém, alguém que se lembra nitidamente dessas instituições é o doutor Charles Nelson, professor de pediatria no Hospital Infantil de Boston. Ele as visitou pela primeira vez em 1999 e ficou apavorado com o que viu. Crianças eram mantidas nos berços, sem nenhum estímulo sensorial. Havia uma só pessoa para cuidar de 15 crianças e os trabalhadores eram instruídos a não as pegar no colo nem demonstrar nenhuma forma de afeto, mesmo quando elas choravam – a preocupação era que os gestos de carinho levassem as crianças a querer mais, o que era impossível para uma equipe tão limitada. Nesse contexto, as coisas eram reguladas ao máximo. [...]
Fonte: Eagleman, David. Cérebro: uma biografia. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2017, p. 9-11. (Edição do Kindle. Com adaptações.)
Em relação ao período “Isso significa que um bebê que nasce no Japão e outro que nasce nos EUA podem ouvir e reagir a todos os sons em ambas as línguas”, é INCORRETO afirmar que
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