Questão 5 - UFJF - PISM Módulo II dia 1 2024
Leia o comentário sobre as obras de Carolina Maria de Jesus realizado pela escritora Conceição Evaristo durante uma entrevista no Programa Roda Viva, retextualizada a seguir, texto IV, para responder à questão .
TEXTO
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Vera Magalhães (jornalista): Conceição, o seu mais recente projeto é o relançamento da obra completa da Carolina Maria de Jesus e, diante do lançamento das primeiras obras, já se instaurou uma polêmica a respeito do texto [...], da forma oral e da forma escrita. Eu queria saber como se deu a discussão em torno de se preservar ou não o português do modo como a Carolina escrevia, qual foi a sua opinião como coordenadora a esse respeito e como você vê as duas correntes que se digladiam nesse debate: a que acha que corrigir o português seria uma forma de respeito à Carolina e tratá-la como outros escritores são tratados; e a que vê o respeito à sintaxe dela [...], um respeito aí, sim, à vida dela e ao fato de que ela veio de um lugar de exclusão, de exclusão do ensino formal e que isso precisa estar presente na obra, porque faz parte também dela como escritora.
Conceição Evaristo (entrevistada): [...] em termos do conselho [editorial], do grupo, das outras pesquisadoras, todas nós já tínhamos esse pensamento elaborado sobre a não intervenção no texto de Carolina, tanto do ponto de vista da ortografia, da gramática, e do conteúdo, [...] o que Carolina escreveu está lá. O que eu vejo sobre essas duas correntes: uma que defende essa correção, outra corrente, a nossa, que acha que tem que deixar o texto de Carolina fluir. Eu vejo duas ou mais maneiras de ler Carolina. Na verdade, o Conselho propõe uma maneira de ler Carolina, que é uma maneira talvez nova, por isso causa esse certo incômodo. Carolina é múltipla, ela pode ser lida de várias formas. Agora, o que a gente pensa nessa maneira que a gente apresentou Carolina: o texto de Carolina, para além do conteúdo, da literatura, ele possibilita uma série de reflexões. E uma das reflexões que a gente traz [...] é de ajudar a pensar de como as classes populares se apropriam da língua portuguesa. A maneira como nós, brasileiros, nos apropriamos da língua portuguesa, ela é uma maneira também muito diversificada. Os sujeitos indígenas se apropriam da língua portuguesa de uma forma, o sujeito do interior se apropria de outra forma, o sujeito da capital se apropria de uma outra forma, o jornalista se apropria de outra forma. Então, essa maneira diversa de se apropriar da língua portuguesa e que tem, inclusive, muito a ver com a própria condição social do sujeito, então a gente queria conservar essa dinâmica de Carolina, como ela se apropriou da língua portuguesa. E muito também, no sentido de deixar explícito quais foram as formas de letramento de Carolina. Como se dá esse processo de letramento de Carolina, que é um processo muito diverso. [...]. Uma outra questão que para a gente é um ponto de reflexão também é que nós não partimos do conceito de erro. Porque se a gente parte do conceito de erro, nós vamos pensar em correção. Nós não partimos desse princípio, nós partimos de princípios que são registros diferenciados e esses registros diferenciados podem existir. [...] Por isso, a gente não fala em agramaticalidade, porque algumas pessoas estão dizendo que o texto é agramático, nós preferimos pensar que é um texto que lida com [...] a gramática do cotidiano. |
Fonte: Canal do Youtube do Programa Roda Viva, em 6 de setembro de 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Y-g5BvfFJAI. Acesso em: 06 jul. 2023
A defesa de Conceição Evaristo, de manutenção de marcas de variação linguística na obra de Carolina
Maria de Jesus, indica uma concepção que
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