Questão 2 - UFJF - PISM Módulo II dia 1 2024
Leia o trecho da biografia de Carolina Maria de Jesus, texto II, para responder à questão.
TEXTO
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CAROLINA MARIA DE JESUS
A mineira Carolina Maria de Jesus morou por muitos anos na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, em São Paulo. Em sua imaginação, residia em castelos. Na vida real, era catadora de papel e mãe solteira de três filhos. Uma mulher negra com poucas oportunidades, passou apenas dois anos na escola. Por isso, em 15 de julho de 1955, quando começou a escrever um diário – para, em suas palavras, “esquecer da fome” –, jamais poderia prever que seus escritos, feitos em cadernos recolhidos do lixo, iam fazer com que alcançasse sucesso internacional.
No final da década de 1950, um repórter do extinto jornal Folha da Noite, Audálio Dantas, foi à favela do Canindé com a tarefa de relatar o cotidiano de seus moradores. Ele viu Carolina reclamando do barulho excessivo dos outros moradores, que dificultavam a concentração na escrita de seu diário. A curiosidade do jornalista foi despertada, e ele mergulhou em seus cadernos e passou a defender sua publicação. Mais de seis editoras já tinham recusado o original datilografado por Dantas quando a Livraria Francisco Alves Editora aceitou lançar Quarto de Despejo: diário de uma favelada. Uma frase de Carolina explica bem o título da obra: “A favela é o quarto de despejo da cidade porque lá jogam homens e lixo, que lá se confundem, coisas imprestáveis que a cidade deixa de lado.” [...] O relato tão pessoal de Quarto de Despejo continua relevante até hoje. O diário de Carolina traz um ponto de vista com pouco espaço na sociedade e, por consequência, na literatura. Já na ocasião de sua publicação, jornalistas e escritores destacaram a denúncia social expressa em suas páginas a partir de descrições pungentes sobre a miséria e os sonhos dos moradores da favela do Canindé. [...] Mesmo sem respeitar a norma culta da língua portuguesa, o livro recebeu repercussão internacional e foi aclamado pelo público e pela crítica. Tornou-se um best-seller traduzido para mais de dez idiomas e vendido em mais de quarenta países. [...] A escritora morreu aos 63 anos em seu sítio, em decorrência de uma crise de asma. Pouco antes, entregou a jornalistas franceses os manuscritos de Diário de Bitita, livro lançado quase uma década após sua morte, no qual fala da infância e da luta contra o preconceito social e a miséria. Extremamente produtiva, ela ainda colaborou com diversos jornais e escreveu poemas, contos e cartas. O racismo, a política, a vida nas favelas, o amor e as questões da mulher estão entre as temáticas de destaque em todos os seus textos. Entre as homenagens póstumas recebidas está o nome dado à Biblioteca Carolina Maria de Jesus, localizada no Museu Afro Brasil, no parque do Ibirapuera, em São Paulo. |
Fonte: SOUZA, Duda Porto de; CARARO, Aryane. Mulheres extraordinárias que revolucionaram o Brasil. São Paulo: Seguinte, 2018.
Em biografias é comum a utilização de tempos verbais nos pretéritos do indicativo. No entanto, ocorrem variações em função do conteúdo temático, da intenção comunicativa dos escritores e de seus estilos autorais de produção.
Sabendo disso, releia um trecho do texto e responda à questão.
| “O relato tão pessoal de Quarto de Despejo continua relevante até hoje. O diário de Carolina traz um ponto de vista com pouco espaço na sociedade e, por consequência, na literatura. Já na ocasião de sua publicação, jornalistas e escritores destacaram a denúncia social expressa em suas páginas a partir de descrições pungentes sobre a miséria e os sonhos dos moradores da favela do Canindé.” (3º parágrafo) |
A alternativa que apresenta a classificação e a análise CORRETA do uso do tempo verbal utilizado preponderantemente neste fragmento é:
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