Questão 9 - UFJF - PISM Módulo III dia 1 2022
Texto
Lira XIX
Tomás Antônio Gonzaga
Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Marília, nos sentemos
À sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanto vive, nos
descobre
A sábia natureza.
Atende, como aquela vaca preta
O novilhinho seu dos mais separa,
E o lambe, enquanto chupa a lisa teta.
Atende mais, ó cara,
Como a ruiva cadela
Suporta que lhe morda o filho o corpo,
E salte em cima dela.
Repara, como cheia de ternura
Entre as asas ao filho essa ave
aquenta,
Como aquela esgravata a terra dura,
E os seus assim sustenta:
Como se encoleriza,
E salta sem receio a todo o vulto,
Que junto deles pisa.
Que gosto não terá a esposa amante,
Quando der ao filhinho o peito brando,
E refletir então no seu semblante!
Quando, Marília, quando
Disser consigo: É esta
De teu querido pai a mesma barba,
A mesma boca, e testa.
Que gosto não terá a mãe, que toca,
Quando o tem nos seus braços, c’o
dedinho
Nas faces graciosas, e na boca
Do inocente filhinho!
Quando, Marília bela,
O tenro infante já com risos mudos
Começa a conhecê-la!
Que prazer não terão os pais ao verem
Com as mães um dos filhos
abraçados;
Jogar outros a luta, outros correrem
Nos cordeiros montados!
Que estado de ventura!
Que até naquilo, que de peso serve,
Inspira Amor, doçura.
(Fonte: GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Rio de Janeiro: Ediouro, Coleção Prestígio. s/d, p. 40 e 41.)
De que modo as imagens dos animais (leia-se: animais não humanos) são construídas na “Lira XIX”?
Assinale a alternativa CORRETA:
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