Questão 5 - UFJF - PISM Módulo III dia 1 2021
TEXTO
UMA CARTA SOBRE JUSTIÇA E DEBATE ABERTO
7 de julho de 2020
Nossas instituições culturais enfrentam um momento de julgamento. Protestos poderosos por justiça racial e social estão levando a reivindicações há muito tempo esperadas por reforma da polícia, ao lado de chamados mais amplos por igualdade e inclusão maiores em toda a nossa sociedade, especialmente no ensino superior, no jornalismo, na filantropia e nas artes. Porém, essa necessária prestação de contas também intensificou um novo conjunto de atitudes morais e engajamentos políticos que tendem a enfraquecer nossas normas de debate aberto e tolerância de diferenças, em favor da conformidade ideológica. Aplaudimos o primeiro acontecimento, mas levantamos nossas vozes contra o segundo. As forças do iliberalismo vêm ganhando espaço em todo o mundo e contam com um aliado poderoso em Donald Trump, que representa uma ameaça real à democracia. Contudo, não se deve permitir que a resistência endureça, tornando-se um tipo próprio de dogma ou coerção – algo que demagogos de direita já vêm explorando. A inclusão democrática que buscamos só pode ser alcançada se nos manifestarmos contra o clima de intolerância que se instalou por todos os lados.
O livre intercâmbio de informação e ideias, força vital que alimenta uma sociedade liberal, está sendo mais restrito a cada dia que passa. Já nos acostumamos a esperar isso por parte da direita radical, mas a atitude censuradora também está se disseminando mais amplamente em nossa cultura: uma intolerância a visões opostas, uma propensão a humilhar pessoas publicamente e submetê-las ao ostracismo, a tendência a dissolver questões políticas complexas em uma certeza moral ofuscante. Defendemos o valor do discurso contrário robusto e até cáustico vindo de todos os lados. Hoje, porém, é lamentavelmente comum ouvir chamados por represálias imediatas e severas em resposta a discursos e pensamentos interpretados como transgressivos. Ainda mais perturbador é o fato de, em um esforço desesperado para controlar os danos, líderes institucionais andarem impondo castigos apressados e desproporcionais em lugar de reformas bem pensadas. Editores são demitidos por publicar artigos controversos; livros são tirados de circulação por suposta inautenticidade; jornalistas são impedidos de escrever sobre certos temas; professores universitários são investigados por citar obras de literatura em sala de aula; um pesquisador é demitido por circular um estudo acadêmico revisto por pares; e diretores de organizações são afastados por iniciativas que, em alguns casos, não passaram de equívocos imprudentes. Sejam quais forem os argumentos apresentados em torno de cada incidente em particular, o resultado vem sendo o estreitamento constante dos limites do que pode ser dito sem ameaças de represália. Já estamos pagando o preço por isso em termos de maior aversão a riscos da parte de escritores, artistas e jornalistas que temem por seus meios de subsistência se se distanciarem do consenso geral ou até mesmo demonstrarem zelo insuficiente em concordar com ele.
Esse ambiente sufocante vai acabar, em última análise, prejudicando as causas mais cruciais de nossos tempos. A imposição de restrições ao debate, quer seja por um governo repressor ou uma sociedade intolerante, invariavelmente prejudica aqueles que não têm poder e torna todos menos capazes de participação democrática. O melhor modo de derrotar más ideias é pela exposição das ideias, a discussão e a persuasão, não por tentativas de silenciá-las ou simplesmente desejar que não existissem. Rejeitamos qualquer escolha falsa entre justiça e liberdade, que não podem existir em separado. Como escritores, precisamos de uma cultura que nos deixe espaço para experimentação, riscos e até erros. Precisamos preservar a possibilidade de divergências de boa-fé sem consequências profissionais graves. Se não defendermos a própria coisa da qual nosso trabalho depende, não devemos esperar que o público ou o Estado a defendam por nós.
Elliot Ackerman; SaladinAmbar, Universidade Rutgers; Martin Amis;AnneApplebaum; Marie Arana, escritora; Margaret Atwood; John Banville; Mia Bay, historiadora; Louis Begley, escritor; Roger Berkowitz, BardCollege; Paul Berman, escritor; SheriBerman, BarnardCollege; Reginald DwayneBetts, poeta; Neil Blair, agente; David W. Blight, Universidade Yale; Jennifer Finney Boylan, autora; David Bromwich; David Brooks, colunista; Ian Buruma, BardCollege; Lea Carpenter; Noam Chomsky, MIT (emérito); Nicholas A. Christakis, Universidade Yale; Roger Cohen, escritor; Embaixadora Frances D. Cook, aposentada; Drucilla Cornell, fundadora, uBuntu Project; KamelDaoud; MeghanDaum, escritora; Gerald Early, Universidade Washington-St. Louis; Jeffrey Eugenides, escritor; Dexter Filkins; Federico Finchelstein, The New School; CaitlinFlanagan; Richard T. Ford, Stanford Law School; Kmele Foster; David Frum, jornalista; Francis Fukuyama, Universidade Stanford; AtulGawande, Universidade Harvard; Todd Gitlin, Universidade Columbia; Kim Ghattas; Malcolm Gladwell; Michelle Goldberg, colunista; Rebecca Goldstein, escritora; Anthony Grafton, Universidade Princeton; David Greenberg, Universidade Rutgers; Linda Greenhouse; Rinne B. Groff, dramaturga; Sarah Haider, ativista; Jonathan Haidt, NYU-Stern; RoyaHakakian, escritora; ShadiHamid, BrookingsInstitution; JeetHeer, The Nation; Katie Herzog, apresentadora de podcast; SusannahHeschel, DartmouthCollege; Adam Hochschild, autor; Arlie Russell Hochschild, autor; Eva Hoffman, escritora; Coleman Hughes, escritor/Instituto Manhattan; Hussein Ibish, Instituto dos Países do Golfo Árabe; Michael Ignatieff; ZaidJilani, jornalista; Bill T. Jones, New York Live Arts; Wendy Kaminer, escritora; Matthew Karp, Universidade Princeton; GarryKasparov, RenewDemocracyInitiative; Daniel Kehlmann, escritor; Randall Kennedy; KhaledKhalifa, escritor; ParagKhanna, autor; Laura Kipnis, Universidade Northwestern; Frances Kissling, Center for Health, Ethics, Social Policy; Enrique Krauze, historiador; Anthony Kronman, Universidade Yale; JoyLadin, Universidade Yeshiva; Nicholas Lemann, Universidade Columbia; Mark Lilla, Universidade Columbia; Susie Linfield, Universidade de Nova York; Damon Linker, escritor; DahliaLithwick, Slate; Steven Lukes, Universidade de Nova York; John R. MacArthur, publisher, escritor; Susan Madrak, escritora; Phoebe MaltzBovy, escritora; Greil Marcus; Wynton Marsalis, Jazz at Lincoln Center; KatiMarton, autora; DebraMashek, acadêmica; DeirdreMcCloskey, Universidade de Illinois em Chicago; John McWhorter, Universidade Columbia; UdayMehta, City Universityof New York; Andrew Moravcsik, Universidade Princeton; YaschaMounk, Persuasion; Samuel Moyn, Universidade Yale; Meera Nanda, escritora e professora; Cary Nelson, Universidade de Illinois em Urbana-Champaign; Olivia Nuzzi, New York Magazine; Mark Oppenheimer, Universidade Yale; DaelOrlandersmith, escritora/performer; George Packer; NellIrvinPainter, Universidade Princeton (emérita); Greg Pardlo, Universidade Rutgers – Camden; Orlando Patterson, Universidade Harvard; Steven Pinker, Universidade Harvard; LettyCottinPogrebin; KathaPollitt, escritora; Claire Bond Potter, The New School; TaufiqRahim; Zia Haider Rahman, escritor; Jennifer Ratner-Rosenhagen, Universidade de Wisconsin; Jonathan Rauch, BrookingsInstitution/The Atlantic; Neil Roberts, teórico político; Melvin Rogers, Universidade Brown; Kat Rosenfield, escritora; Loretta J. Ross, Smith College; J.K. Rowling; Salman Rushdie, Universidade de Nova York; KarimSadjadpour, Carnegie Endowment; Daryl Michael Scott, Universidade Howard; Diana Senechal, professora e escritora; Jennifer Senior, colunista; Judith Shulevitz, escritora; Jesse Singal, jornalista; Anne-Marie Slaughter; Andrew Solomon, escritor; Deborah Solomon, crítica e biógrafa; Allison Stanger, MiddleburyCollege; Paul Starr, American Prospect/Universidade Princeton; Wendell Steavenson, escritor; Gloria Steinem, escritora e ativista; Nadine Strossen, New York Law School; Ronald S. Sullivan Jr., Harvard Law School; KianTajbakhsh, Universidade Columbia; ZephyrTeachout, Universidade Fordham; Cynthia Tucker, Universidade do Sul do Alabama; AdanerUsmani, Universidade Harvard; ChloeValdary; Helen Vendler, Universidade Harvard; Judy B. Walzer; Michael Walzer; Eric K. Washington, historiador; Caroline Weber, historiadora; RandiWeingarten, Federação Americana de Professores; Bari Weiss; Sean Wilentz, Universidade Princeton; GarryWills; Thomas Chatterton Williams, escritor; Robert F. Worth, jornalista e autor; Molly Worthen, Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill; Matthew Yglesias; Emily Yoffe, jornalista; Cathy Young, jornalista; FareedZakaria As instituições são mencionadas apenas para fins de identificação.
Texto adaptado. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/07/leia-manifestos-sobre-cultura-do-cancelamento-eliberdade-de-expressao.shtml. Acesso em: 27/11/2020
O primeiro parágrafo do texto traça um quadro do "momento de julgamento" enfrentado pelas instituições culturais. Para descrever esse cenário, utilizou-se como estratégia:
![[Marketing] Primeira Questao](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6e09902a8e108d73cce3c7b9272eb1de_simulado_home_treineiro_desk.png)