Questão 4 - UFJF - PISM Módulo I dia 2 2021
Texto
Pessoal Intransferível
Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. (...)
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil (...) é não trair sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. (...)
E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
(NETO, Torquato. Os últimos dias de paupéria. São Paulo: Max Limonad, 1982, p. 63.)
O texto “Pessoal Intransferível”, assim como o poema “Dois e dois: quatro”, também foi escrito e publicado durante a ditadura civil-militar iniciada com o Golpe de 1964. Mais exatamente, foi publicado em 14 de Setembro de 1971 no jornal Última Hora durante o governo do General Médici. Nessa época, conhecida, não à toa, como “Anos de Chumbo”, o Brasil vivia um dos momentos mais repressivos do regime ditatorial. Foi um período marcado por extrema violência (prisões, torturas, mortes), intensa censura e tentativas de calar as diversas forças (estéticas, políticas e comportamentais) que se opunham e discordavam do regime. Tendo em vista esse quadro, o texto de Torquato Neto pode ser lido como uma atitude inconformista em relação ao contexto de silenciamento no qual está inserido.
Qual das seguintes passagens do texto pode ser associada à afirmativa acima?
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