Questão 47 - UDESC Manhã 2026/1
Panorama além...
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei nada.
Nem ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
— Existência parada. Existência acabada.
[5] Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: — o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
[10] Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém... O ermo atrás do ermo: — é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
MEIRELES, Cecília. Nunca mais... e Poema dos poemas. In: _______. Poesia completa. São Paulo: Global, 2017, p. 59.
Com base no Texto, na obra Nunca mais... e Poema dos poemas, no seu contexto sócio-histórico e na variedade padrão da língua escrita, analise as proposições seguintes.
I. O poema Panorama além... é um soneto, uma forma fixa muito explorada pela poética simbolista.
II. A autora emprega rimas ricas (entre palavras de classes gramaticais diferentes), como em “dia” e “melancolia” (versos 1 e 3) e “segredo” e “degredo” (versos 9 e 10).
III. Em “Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.” (verso 9), Cecília usa a enumeração de substantivos abstratos para criação de uma atmosfera imaterial, recurso estilístico constante no livro.
IV. No poema Panorama além…, o eu lírico fala do vazio e das incertezas sobre sua condição, questionando-se, por fim, sobre a própria morte.
V. Poema dos poemas, a segunda parte do livro, assume um tom celebrativo e marca o ingresso de Cecília Meireles na poética modernista.
Assinale a alternativa correta.
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