Questão 37 - UDESC Manhã 2026/1
Texto 1
Revista Sul, no Brasil, primeira internacionalização da literatura angolana
Florianópolis em África versus África em Florianópolis:
«As tramas do destino, o momento, as circunstâncias»
Por Zetho Cunha Gonçalves (BUALA 29/10/2021)

Em finais de 1947, um grupo de jovens irreverentes
(Salim Miguel, a sua companheira de toda a vida, Eglê
Malheiros, Aníbal Nunes Pires, Ody Fraga e Silva e
Antônio Paladino) forma o Grupo Sul, em Florianópolis,
[5] “numa tentativa de produzir alguma coisa na área da
cultura, em Santa Catarina”.
Operando em várias frentes, desde o teatro ao cinema,
das artes plásticas ao jornalismo e à literatura, o grupo
publicará em janeiro de 1948 o primeiro número da
[10] revista Sul – título que, mais que o fator geográfico,
pediu emprestado e traduziu da já mítica Sur de Buenos
Aires, capitaneada por Victoria Ocampo (1890-1979) e
onde pontuaram Ernesto Sábato (1991-2011), Adolfo
Bioy Casares (1914-1999) e Jorge Luis Borges (1899-
[15] 1986), entre tantos outros –, de que, até ao início de
1958, saem trinta números.
A aventura da Sul terminará com “pompas fúnebres”,
porque, segundo os seus responsáveis, “a revista
estava tornando-se muito acadêmica”, não obstante a
[20] sua tremenda repercussão pelo mundo, contando com
correspondentes e assinantes em nada menos que vinte
e nove países.
Quando, no Rio de Janeiro, o escritor Marques Rebelo
(1907-1973) toma conhecimento da revista e do projeto cultural que lhe estava subjacente, entra
[25] em contato com o grupo propondo a realização de uma exposição de arte moderna em
Florianópolis. O repto é aceito sem medir consequências, e a consequência maior terá sido a
criação, oficializada a 18 de março de 1949, do Museu de Arte Moderna de Florianópolis, hoje,
Museu de Arte de Santa Catarina.
Marques Rebelo, que já se correspondia com alguns intelectuais portugueses − entre os quais, o
[30] hoje tão injustamente olvidado e silenciado poeta, crítico, artista plástico e agitador cultural
Augusto dos Santos Abranches (1912-1963), então residente em Moçambique −, é o primeiro
responsável pelo intercâmbio cultural entre a revista Sul de Florianópolis e os poetas e
nacionalistas africanos que nela passariam a colaborar e de cujas livrarias catarinenses se faziam
abastecer de todo o tipo de literatura então proibida pelo regime salazarista.
[35] E é justamente por via de Augusto dos Santos Abranches que a revista chega a Angola, às mãos
dos poetas e nacionalistas Viriato da Cruz e António Jacinto, que não demoram a se corresponder
com Salim Miguel.
As primeiras cartas datam de 23 e 24 de setembro de 1952, respectivamente, onde Viriato da
Cruz anuncia que conhece Salim Miguel pela sua obra Velhice e outros contos (1951), que estava
[40] então sendo lida por António Jacinto. [...]
E assim começa um intercâmbio cultural e político que viria definitivamente a influenciar, não só
a literatura emergente, como também a conscientização e o fortalecimento da causa nacionalista
angolana, como lembrou José Luandino Vieira à revista África 21, quando da morte de
Salim Miguel:
[45] “A ação da Eglê e do Salim foi de capital importância para a nossa formação ética, política e
literária, com os livros marxistas e de escritores brasileiros que nos enviavam, por vezes aos
pedaços. Nós (eu, António Cardoso, Benúdia, Adolfo Maria, Henrique Abranches e o grupo Força
Nova) quisemos imitar a Sul, tal foi a sua influência, publicando cadernos idênticos. O primeiro
que era para sair eram poemas do Cardoso, mas eram demasiado fortes, e publicamos o I vol.
[50] d’A cidade e a infância, que foi logo apreendido… Angola lhes deve imensamente.”
Disponível em: https://www.buala.org/pt/a-ler/revista-sul-no-brasil-primeira-internacionalizacao-da-literaturaangolana. Acesso em: 01 set. 2025. [Adaptado].
Com base no Texto 1 e na variedade padrão da língua escrita, assinale a alternativa correta.
![[Marketing] Primeira Questao](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6e09902a8e108d73cce3c7b9272eb1de_simulado_home_treineiro_desk.png)