Questão 9 - ACAFE Medicina - Verão 2026/1
Leia o Texto 1.
Texto 1
Inteligência artificial na saúde: futuro ou realidade?
Adrielly Reis
A notícia é que o futuro já chegou. Não está mais “ali logo em frente, a esperar pela gente”. Ele é agora. E
se, como cantava Toquinho em sua Aquarela: “o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”, a realidade dá
conta de que quem dita o ritmo desse compasso são os dados, ou melhor, o algoritmo da inteligência artificial
(IA).
[5] Mas, afinal, como a IA se relaciona com a saúde? Segundo o professor de machine learning em saúde da
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), Alexandre Chiavegatto, estima-se que
30% de big data, coleta de dados, estejam concentrados na área da saúde. Chiavegatto explica que os avanços
exponenciais nos últimos 5 anos permitiram que a IA se tornasse uma aliada do Sistema Único de Saúde
(SUS), “desde que orientada por dados para a tomada de decisão em conjunto para a saúde”.
[10] Entre os benefícios do uso da IA na saúde, ao agrupar os dados, a machine learning auxilia o profissional
de saúde no diagnóstico e prognóstico; na diminuição de filas de atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde
(UBS), bem como na redução de faltas às consultas; na previsão de leitos, principalmente aos finais de semana;
e na gestão de sistema para alocação eficiente de recursos financeiro, físico e humano. “Com a machine
learning, é possível fazer uma previsão para onde alocar novas UBS, considerando o tempo de deslocamento
[15] do paciente”, destaca o professor da FSP-USP.
Adaptado de: FIOCRUZ. Disponível em: https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/inteligenciaartificial-na-saude-futuro-ou-realidade/. Acesso em: 05/09/2025.
Texto 2
ChatGPT erra em diagnósticos e pode oferecer risco
Na Grécia Antiga, quem buscava respostas sobre o próprio destino recorria ao Oráculo de Delfos,
consultando a sacerdotisa que interpretava os sinais dos deuses. Muitas dessas perguntas envolviam questões
de saúde. Foi também na Grécia que viveu Hipócrates, considerado o pai da medicina moderna. Desde então,
mais de dois milênios se passaram, marcados por avanços médicos extraordinários, e ir ao médico se tornou
[5] parte da vida cotidiana.
Hoje, a tecnologia permite evitar tanto viagens a Delfos quanto idas ao consultório, oferecendo a alternativa
digital de consultar o “Dr. Google”. Mas essa prática, que estimula o autodiagnóstico, frequentemente leva a
erros – e, para o Dr. Google, quase tudo termina em câncer.
Com o surgimento de ferramentas de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, o Dr. Google ganhou
[10] concorrência. Há quem enxergue nessas tecnologias uma revolução na medicina. Entretanto, o “Dr. ChatGPT”
também tem falhas sérias: enquanto pode acertar em diagnósticos comuns, pode errar grosseiramente em
outros. E, na medicina, um erro pode ser fatal – como no caso de um paciente que, após confiar na resposta
do ChatGPT, adiou o atendimento de um AVC, colocando sua vida em risco.
Talvez a questão central não seja apenas o uso do ChatGPT para questões de saúde, mas o declínio do
[15] pensamento crítico. A IA, quando bem utilizada, é uma ferramenta poderosa, com aplicações valiosas – como
resumir, traduzir ou gerar textos. No entanto, ainda é indispensável revisar cuidadosamente os conteúdos
gerados por essas ferramentas, corrigindo falhas com base no bom senso e no conhecimento especializado.
Estudos já indicam que o uso excessivo da IA pode afetar negativamente a capacidade humana de
raciocínio crítico. Por isso, é essencial treinar nossa habilidade de analisar as respostas que essas ferramentas
[20] oferecem. Essa formação exige esforço, mas é fundamental em um cenário onde chats conversacionais estão
em toda parte. Na área da saúde, isso se traduz na importância do juízo clínico.
Ainda que a agilidade do ChatGPT possa atrair quem busca respostas rápidas, o julgamento de um médico
qualificado continua, até hoje, sendo insubstituível. Em resumo: você pode até deixar de ir a Delfos — mas
jamais de procurar um profissional de saúde.
Adaptado de: Sindicato dos Profissionais de Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de Mato Grosso do Sul. Disponível em: https://sppdms.org.br/chatgpt-erra-diagnosticos-oferecer-riscos-especialistas/. Acesso em: 05/09/2025.
Em relação aos objetivos dos textos 1 e 2 e às funções da linguagem empregadas pelos autores, analise as afirmações.
I. O texto 1 contém elementos que tentam convencer o leitor sobre os benefícios da IA na saúde, o que representa a função conativa, que busca influenciar o comportamento do leitor.
II. O texto 1 apresenta informações e descrições objetivas sobre como a inteligência artificial pode ser aplicada na saúde pública, elementos típicos da função referencial.
III. No texto 2, frases que destacam riscos ou precauções expressam preocupações do autor sobre o autodiagnóstico, caracterizando a função emotiva do texto.
Assinale a alternativa que apresenta a(s) afirmativa(s) CORRETA(S).
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