Questão 1 - UERJ 1 Exame 2026
O mestre-sala dos mares (1974)
Há muito tempo nas águas da Guanabara,
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu.
[5] Conhecido como navegante negro,
Tinha a dignidade de um mestre-sala.
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas,
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas,
Jovens polacas e por batalhões de mulatas.
[10] Rubras cascatas jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas,
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então:
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias!
Glória à farofa, à cachaça, às baleias!
[15] Glória a todas as lutas inglórias,
Que através da nossa história não esquecemos jamais.
Salve o navegante negro,
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais.
Mas salve
[20] Salve o navegante negro,
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais.
Mas faz muito tempo...
Revolta da Chibata
Rebelião ocorrida na Marinha brasileira entre 22 e 27 de novembro de 1910, em protesto contra os castigos físicos que segmentos de baixa patente recebiam. Os amotinados, liderados pelo marinheiro João Cândido Felisberto, apelidado pela imprensa da época de “Almirante Negro”, tiveram suas reivindicações atendidas – a punição com chibatadas foi extinta –, mas uma semana depois quase todos foram presos, mortos ou mandados para seringais na Amazônia.
Na década de 1970, a Revolta da Chibata voltou à baila com “Mestre-sala dos mares”, canção de João Bosco e Aldir Blanc no estilo de samba-enredo, que homenageia João Cândido. A menção, na letra, a seu apelido Almirante Negro foi censurada e substituída por “navegante negro”. Em 22 de novembro de 2007, uma estátua sua foi inaugurada nos jardins do Museu da República, no Palácio do Catete; e, em 24 de julho de 2008, o Diário Oficial da União publicou a lei n° 11.756, que lhe concedeu anistia, mas vetou sua reintegração à Marinha.
Beatriz C. Silva Adaptado de atlas.fgv.br.
A canção “Mestre-sala dos mares”, como abordado no texto, foi uma homenagem a João Cândido Felisberto, um dos líderes sobreviventes da Revolta da Chibata.
Na ótica das autoridades governamentais, a repressão aos amotinados, em 1910, e a censura à letra da canção, em 1970, estão associadas ao seguinte aspecto dessa Revolta:
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