Questão 37 - UENP 2025
Considere o fragmento de texto a seguir para a questão.
Vamos perder a Amazônia
Publicado em 09/09/2024, às 06:00
Marco Moraes*
Na semana em que se comemora o Dia da Amazônia (05/09), o Brasil e o mundo olham preocupados para um cenário que promete ser devastador. A estação seca da região está apenas começando, e o fogo atinge uma grande área de lavouras e florestas. Os rios se aproximam dos seus níveis históricos mais baixos, e toda a economia da região pode ser fortemente afetada. Trata-se de mais um ano confirmando uma tendência de degradação ambiental que tem sido cada vez mais marcante.
Os números mais recentes indicam que mais de 800 mil km2 de florestas já foram destruídos, cerca de 19% do bioma. Estamos caminhando rapidamente para perder 1 milhão de km2, quase 20% dos 5,5 milhões de km2 que representam toda a Amazônia brasileira.
Pode-se argumentar que o Cerrado e a Mata Atlântica já perderam muito mais de suas áreas originais, e os biomas ainda resistem, embora precariamente. Mas, na Amazônia, o caso é diferente. Com sua dependência da alta reciclagem de água e seus solos pouco espessos, estima-se que, se um trecho de floresta perder cerca de 25% de suas árvores, poderá não se recuperar. É por isso que o Código Florestal determina que as propriedades preservem 80% de sua mata nativa, uma determinação que, evidentemente, não está sendo cumprida.
As queimadas que estamos vendo agora são mais um instrumento nas mãos dos criminosos que desafiam abertamente a lei. Afinal, argumentarão que, como não podemos mais recuperar as áreas queimadas, é melhor transformá-las em pastagens ou monoculturas. Essa estratégia é utilizada tanto nas propriedades já instaladas quanto pelos grileiros que invadem áreas públicas para depois vendê-las.
Com tudo isso, um espectro que vem rondando a Amazônia há algum tempo voltou a assustar: a savanização. O perigo de a Floresta Amazônica se transformar em uma savana (estepe dominada por vegetação baixa com árvores esparsas) já havia sido alertado pelos especialistas na década de 1990, exatamente por conta do reconhecimento da fragilidade do ecossistema.
[...]
*Autor do livro Planeta Hostil (Matrix Editora). Geólogo formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA/UFRGS) e Ph.D. pela Universidade de Wyoming (EUA). Atuou durante maior parte de seus quase 40 anos de carreira profissional como pesquisador do Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPES). Desde 2017, quando deixou a vida corporativa, dedica-se a estudar os problemas ambientais do planeta
Fonte: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/vamosperder-a-amazonia-1.1028860.
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação CORRETA sobre o texto acima.
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