Questão 7 - UFRGS 1 Dia 2026
As questão está relacionada ao texto abaixo.
[1] Em meados dos anos 1980, meus
amigos e eu éramos fascinados por
videogames. Nossa turma usufruía de três
consoles: um Atari, um Odyssey e um
[5] Intellivision. Sempre que podíamos, nos
apinhávamos no sofá de uma dessas casas
privilegiadas para jogar até que fôssemos
obrigados a parar. Lembro hoje com clareza
as advertências que ouvíamos das pessoas
[10] mais velhas em cada um desses lares: “Essa
máquina vai derreter o cérebro de vocês”.
Nos últimos anos da década de 1990,
meus novos amigos (da Faculdade) e eu
estávamos encantados com os
[15] “computadores pessoais”, os PCs, que
finalmente se tornavam acessíveis. Também
nessa época, era comum ouvir de
professores repreensões sobre essa nova
tecnologia: “Essa máquina pensa por vocês!
[20] Vocês vão ficar burros!”.
O ano é 2024. O professor mais velho
agora sou eu. A mania da vez são os
celulares (smartphones) e as redes sociais
virtuais. E sim: vivo advertindo os meus
[25] alunos dos malefícios cognitivos e sociais
que o excesso de exposição a essas telas
hipnóticas provoca. Mas será que estou
apenas reproduzindo o papel dos velhotes
perplexos com uma nova tecnologia que não
[30] compreendem – ou seja, só troquei de lugar,
do sofá diante do videogame para o quadro
branco na frente de uma turma de calouros?
Ou há de fato um perigo nesses retângulos
luminosos presentes nas mãos de quase
[35] todas as pessoas?
Os pais dos meus amigos de infância
eram leigos em ciências da cognição e não
possuíam dados que justificassem o seu
temor de um possível impacto (negativo)
[40] das tecnologias da época sobre o
desenvolvimento cognitivo de crianças,
adolescentes e jovens. Nos dias de hoje, a
situação é muito diferente. Os especialistas
em inteligência humana já reuniram dados
[45] mais do que suficientes para justificar os
meus alardes: as gerações que chegam
........ Universidades nos últimos anos
(descontados os atrasos gerados pela Covid
19) realmente apresentam limitações em
[50] sua capacidade de atenção, de concentração
e de imersão na leitura. E a causa desse
“subdesenvolvimento” mental é clara: o
treinamento extenso e intenso a que esses
jovens ........ submetendo os seus cérebros
[55] diante das telas de seus dispositivos
portáteis.
Videogames e computadores não
possuem um raio invisível que invade o
cérebro de seus usuários e o derrete. Os pais
[60] dos meus amigos (os meus também)
estavam errados. Porém, eles quase
acertaram. Passar tempo demais em
atividades puramente recreativas nunca foi
saudável para crianças, adolescentes e
[65] jovens. As pesquisas em ciências cognitivas
modernas já descobriram que o crescimento
humano envolve aprender a ter
responsabilidades e a viver intensamente
diferentes tipos de interação sociocognitiva.
[70] Nesse sentido, tínhamos sorte nos anos
1980 porque não era possível passar mais do
que algumas horas semanais sentados
diante de uma TV com um joystick na mão.
Era preciso ir para a escola, fazer ....... lição
[75] de casa, frequentar festas de aniversário
(em grupo, para paquerar inclusive), jogar
futebol ou outros esportes coletivos, bater
papo e uma miríade de atividades sociais (as
sérias, mas também as brincadeiras) que
[80] aconteciam fora da sala de TV. Ninguém
podia levar um videogame para cada um
desses lugares e continuar jogando fosse
onde fosse a despeito do que ocorria a seu
redor. Por isso mesmo, nenhum de nós se
[85] tornou um cidadão menos capaz do que os
das gerações anteriores.
Smartphones não emitem raios
idiotizantes, é verdade! No entanto, eles
conseguem fazer o que nenhum videogame
[90 e nenhum PC jamais puderam: eles
acompanham crianças, adolescentes e
jovens em toda parte, todo o tempo. Ao
despertar pela manhã, durante as aulas,
simultaneamente ........ refeições, até a
[95] última piscadela antes de dormir, eles estão
lá, dando acesso hipnótico às redes sociais
virtuais.
Adaptado de KENEDY, E. Celulares não vão derreter océrebro de seus filhos… mas quase. Disponível em:https://lefufrj.wordpress.com/2024/12/16/celulares-naovao-derreter-o-cerebro-de-seus-filhos-mas-quase/.Acesso em: 25 ago. 2025.
Assinale a alternativa que apresenta relações de sentido, contextualmente adequadas, no texto, para os nexos de articulação Ou (l. 33), para (l. 45) e Porém (l. 61), nesta ordem.
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