Questão 1 - EMESCAM 2023/2
Leia o Texto a seguir para responder à questão.
TEXTO
Novos medicamentos para emagrecer mostram que obesidade não é opção
Na casa de uma menina em Hertfordshire, na Inglaterra, você precisa de um código-chave para entrar na cozinha, onde todos os armários estão fechados com um cadeado e a lixeira está trancada. Sem essas medidas, a criança – cujo nome não pode ser divulgado porque está atualmente em adoção provisória – não conseguiria parar de comer, até mesmo restos de carne crua ou de macarrão jogados no lixo. [...]
Aos 12 anos, a menina é magra, parece um passarinho. Se seus pais adotivos não fiscalizassem cada bocado, ela seria muito maior, como muitas pessoas que têm a mesma doença, a síndrome de Prader-Willi. Os pacientes de Prader-Willi podem comer tanto que, em casos extremos, seus estômagos explodem, causando sua morte.
A doença tem uma causa genética rara e devastadora da obesidade. Mas também existe na extremidade de um espectro de comportamento alimentar comum a todos nós, como me disse recentemente Tony Goldstone, pesquisador de endocrinologia do Imperial College London e médico que trabalha com pacientes de Prader-Willi. “As pessoas pensam que só comem porque querem comer, ou porque decidiram comer de forma racional”, disse Goldstone. “Mas muito disso não ocorre no nível consciente.”
Tendemos a acreditar que o tamanho do corpo é algo que podemos controlar totalmente, que somos magros ou gordos por causa de escolhas deliberadas que fazemos. Depois de conversar com centenas de pacientes com obesidade ao longo dos anos e com médicos e pesquisadores que estudam a doença, posso garantir: a realidade se parece muito menos com livre arbítrio. [...]
Os sistemas biológicos, influenciados por nossos ambientes e nossos genes, controlam o fluxo de energia através de nós: a energia entra no corpo em forma de alimento e é consumida ou armazenada em nossos corpos, principalmente como gordura. Esses sistemas, decorrentes das interações entre o cérebro e o corpo, são em grande parte involuntários. Eles funcionam de forma involuntária, como nosso impulso reprodutivo ou os mecanismos que estabilizam nossa temperatura corporal.
A criança de Hertfordshire com Prader-Willi “tem uma anormalidade no termostato de equilíbrio de energia em seu cérebro e não responde”, disse Goldstone. Mas ela experimenta apenas uma variação dos tipos de sinais de fome e saciedade com os quais todos convivemos. [...]
Nem todo mundo tem obesidade hoje. Isso porque a forma como reagimos ao ambiente também está sujeita a controles internos – cutucadas invisíveis que nos guiam a cada refeição. Os pesquisadores observaram isso há mais de cem anos e só recentemente começaram a desvendar como esses sistemas funcionam. A nova
classe de medicamentos para diabetes e obesidade – como semaglutida (vendida sob as marcas Ozempic e Wegovy) e tirzepatide (Mounjaro) – evoluiu a partir dessa pesquisa.
A cascata de descobertas que levaram a esses medicamentos injetáveis, considerados os mais eficazes já aprovados para a obesidade, pode ser rastreada até 1840, quando os médicos começaram a compartilhar estudos de casos de pacientes que, por razões que pareciam fora de seu controle consciente, comiam demais a ponto de ter obesidade grave.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ equilibrio/2023/02/novos-medicamentos-paraemagrecer-mostram-que-obesidade-nao-e-opcao. shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_ campaign=newseditor. Acesso em: 17 fev. 2023.
Em relação à progressão textual, constata-se que
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