Questão 14 - UPE SSA 3ª Fase - 1° Dia 2025
Texto 15
O tempo passava, a menina crescia e não se acostumava com o próprio nome. Continuava achando o nome vazio, distante. Quando aprendeu a ler e a escrever, foi pior ainda, ao descobrir o acento agudo de Ponciá. Às vezes num exercício de autoflagelo ficava a copiar o nome e a repeti-lo, na tentativa de se achar, de encontrar o seu eco. E era tão doloroso quando gravava o acento. Era como se estivesse lançando sobre si mesma uma lâmina afiada a torturar-lhe o corpo. Ponciá Vicêncio sabia que o sobrenome dela tinha vindo desde antes do avô de seu avô, o homem que ela havia copiado de sua memória para o barro e que a mãe não gostava de encarar. O pai, a mãe, todos continuavam Vicêncio. Na assinatura dela a reminiscência do poderio do senhor, um tal coronel Vicêncio. O tempo passou deixando a marca daqueles que se fizeram donos das terras e dos homens. E Ponciá? De onde teria surgido Ponciá? Por quê? Em memória do tempo estaria escrito o significado do nome dela? Ponciá Vicêncio era para ela um nome que não tinha dono.
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. 3. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2021. p. 26-27.
A leitura do Texto 15 nos apresenta questionamentos que perfazem todo o enredo do romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. Nessa passagem, temos acesso aos sentimentos da protagonista a respeito dos significados de seu nome, constituindo-se num discurso de invisibilização que orienta o enredo da história.
Em perspectiva afrocentrada, ou seja, tendo como foco nossas matrizes culturais negro-africanas, esses questionamentos significam o/a
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