Questão 10 - UPE SSA 3ª Fase - 1° Dia 2025
Texto 11
[...] Comovido, ele pressentia que estava assistindo ao nascimento de uma dessas cantigas migradoras, que pousam no coração do povo: que as violas e os cegos vendem pelas estradas. Até ao seu Juca, seu pai, ou mesmo a um sujeito rústico braçal, como aquele Ivo, ali defronte, se embaciavam os olhos, quase de cai lágrimas. — “Importante... Importante...” — afirmava o senhor Alquist, súbito subitamente, desejando que lhe traduzissem o texto digestum ac distinctim, para o anotar. Sem apreender embora o inteiro sentido, de fora aquele pudera perceber o profundo do bafo, da força melodiã e do sobressalto que o verso transmuz da pedra das palavras. E seo Jujuca pedia ao Laudelim que recantasse e acompanhasse em surdina, e ia explicando. Tarefa que se levava, pois o senhor Alquist queria comentar muito, em inglês ou em francês, ou mesmo em seus cacos de português, quando não se ajudando com termos em grego ou latim. — “Digno! Digno! Como na saga de Hrold filho de Helgi, Hrolf o Liberal: ainda era menino, quando Helgi morreu, e ele subiu ao trono da Dinamarca...” Referia: — “Ah, está em Saxo Grammaticus! Ou quando o outro, Hrolf Kraki, entrou na peleja: foi como um rio estua no mar — ele simultâneo, a todo átimo pronto na espada, qual com os bífidos cascos o veado se atira... Está em Saxo Grammaticus...” [...].
ROSA, João Guimarães. O recado do morro. São Paulo: Global, 2021. p. 79-80.
No Texto 11, excerto da novela O recado do morro, de Guimarães Rosa, há o momento em que o personagem Laudelim compõe uma cantiga para desvendar o mistério da história, o que causa reação de admiração pelo naturalista estrangeiro que acompanha o grupo viajante.
A menção a várias línguas serve para
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