Questão 7 - UPE SSA 3ª Fase - 1° Dia 2025
Texto 6
É bem verdade que um número considerável de brasileiros utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários da Libras, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil dessas pessoas disseram não usar o português em família); há falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios, haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que nos últimos anos concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.
GALINDO, Caetano. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 14
Texto 7
O número muito maior de indígenas do que de europeus nesses primeiros tempos da colonização brasileira tornava natural que não fosse o português, mas o tupi, o idioma primordialmente adotado como meio de comunicação entre a população envolvida no ainda incipiente processo colonial. A própria estrutura familiar dos colonos favorecia esse quadro. Afinal, uma das consequências da concessão de esposas indígenas aos portugueses é que os filhos dessas uniões recebiam o tupi como língua materna, doméstica e familiar, vindo a aprender o português apenas posteriormente, com o pai, e isso apenas os meninos.
BEARZOTI FILHO, Paulo. Formação linguística do Brasil. Curitiba: Nova Didática, 2002, p. 33. Adaptado.
Texto 8
e as vozes dos quatro milhões ou mais de indivíduos escravizados, falantes negro-africanos, que foram trazidos para o Brasil, ao longo de quatro séculos consecutivos, não fossem abafadas em nossa História por descaso e preconceito acadêmico, não haveria dúvida de que a consequência mais direta daquele tráfico foi a alteração da língua portuguesa seiscentista e das caravelas, na antiga Colônia sul-americana. Essa alteração se fez sentir em todos os seus componentes, léxico, semântico, prosódico, sintático e, de maneira rápida e profunda, na língua falada, o que deu ao português do Brasil um caráter próprio, diferenciado do português de Portugal [...].
CASTRO, Yeda Pessoa de. Camões com dendê: o português do Brasil e os falares afro-brasileiros, Rio de Janeiro: Topbooks, 2022, p. 234.
Os Textos 6, 7 e 8 apresentam informações sobre nossa formação sociolinguística, a partir de distintos grupos sociais que constituíram o Brasil.
As explicações contidas nesses textos fazem-nos perceber que, do ponto de vista do desrespeito aos direitos humanos, a associação entre classes sociais e grupos éticos revela o/a
![[Marketing] Primeira Questao](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6e09902a8e108d73cce3c7b9272eb1de_simulado_home_treineiro_desk.png)