Questão 8 - UEG Medicina 2025/2
Leia o texto para responder à questão.
Preconceito e intolerância na linguagem
[1] Como a intolerância linguística passa quase despercebida pela opinião pública e não provoca sérios abalos
sociais, da mesma forma que aqueles provenientes da intolerância religiosa ou política, parece nem existir. Contudo, a
intolerância linguística existe e é tão agressiva quanto outra qualquer, pois atinge o cerne das individualidades. A
linguagem é o que o ser humano tem de mais íntimo e o que representa a sua subjetividade. Não é exagero, portanto,
[5] dizer que uma crítica à linguagem do outro é uma arma que fere tanto quanto todas as armas.
O preconceito e a intolerância linguísticos revelam comportamento de um falante diante da linguagem de outro e é,
pois, um fato de atitude linguística. Como tudo que diz respeito à linguagem, a atitude linguística não pode apenas ser
interpretada como um assunto pertinente ao domínio da língua. Antes de tudo, como sabemos bem, a linguagem é
social, plena de valores; é axiológica e, por meio dela, conscientemente ou não, o falante mostra a sua ideologia. Por
[10] isso, estudar o preconceito e a intolerância é ir além de fatos e opiniões que dizem respeito à língua e sua realização.
A metalinguagem intolerante (ou preconceituosa) camufla (ou denuncia) outros preconceitos, de todas as ordens.
Isso significa que o preconceito e a intolerância não são somente linguísticos, são também de outra ordem (social,
política, religiosa, racial etc.). Embora tudo isso seja verdadeiro, ressaltamos aqui o lado linguístico-discursivo de
ambos os fenômenos, a fim de mostrar como eles se alojam no discurso e, muitas vezes, passam sem alarde.
[15] À primeira vista, pode-se dizer simplesmente que as palavras preconceito e intolerância são sinônimas. Um exame
um pouco mais detido, contudo, pode mostrar que preconceito é a ideia, a opinião ou o sentimento que pode conduzir
o indivíduo à intolerância, à atitude de não admitir opinião divergente e, por isso, à atitude de reagir com violência ou
agressividade a certas situações. Isso indica uma primeira diferença: o traço semântico mais forte registrado no
sentido de intolerância é o de ser um comportamento, uma reação explícita a uma ideia ou opinião contra a qual se
[20] pode objetar. Não constitui simplesmente uma discordância tácita. Um preconceito, ao contrário, pode existir sem
jamais se revelar e, por isso, existe antes da crítica.
Professores, estudantes e usuários em geral da língua devem saber reconhecer o preconceito e a intolerância
linguísticos para, de um lado, atuar crítica e conscientemente diante de ocorrências desses fenômenos e, de outro,
para ajudar a evitar sua manifestação. Tal atitude faz parte da formação integral do cidadão, pois é, também, indicativo
[25] de respeito pelas diferenças do outro. A linguagem é um fenômeno multiforme e heteroclítico, que se manifesta
diversamente de usuário para usuário, de circunstância para circunstância, mas a atitude dos preconceituosos e
intolerantes é homogeneizadora e, portanto, surge para exigir o cumprimento de padrões uniformizadores em
detrimento de variáveis importantes, como o respeito pela integridade da pessoa.
LEITE, Marli Quadros. Preconceito e intolerância na linguagem. São Paulo: Contexto, 2008. p.13-14; 20. (Adaptado).
Verifica-se que o texto “Preconceito e intolerância na linguagem” – considerando-se sua composição, organização e textualidade – usa predominantemente a seguinte modalidade retórica:
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