Questão 25 - MULTIVIX Medicina 2024
Considere a leitura do texto seguinte para responder à questão.
Nos hospitais, sistemas antecipam diagnósticos
Médicos apontam maior precisão de diferentes tipos de exames analisados por máquinas
Carin Petti, 28 de novembro de 2022.
No mês passado, Ana (nome fictício), de 50 anos, foi fazer uma tomografia de tórax para acompanhar um câncer de mama, tratado em 2019. Poucas horas depois, a radiologista responsável pelo exame entrou em contato com o médico da paciente para comunicar um achado inesperado: um coágulo numa veia do pulmão. A ajuda veio da inteligência artificial, cada vez mais rotineira na medicina, e a descoberta precoce garantiu o tratamento a tempo de uma condição que muitas vezes é fatal.
Além de Ana, desde abril de 2019, 654 outras pessoas tiveram a embolia no pulmão detectada em cerca de 15 minutos nos laboratórios do grupo Fleury graças a um logaritmo desenvolvido pela startup israelense Aidoc. “Não é infrequente detectar tromboembolismo pulmonar em pacientes que fazem tomografia de tórax por outro motivo, mas que têm chance aumentada para formação de trombos, como é o caso de pacientes oncológicos”, diz Edgar Gil Rizzatti, diretor-executivo do grupo.
O sistema analisa as imagens assim que o exame é realizado e, com diferentes algoritmos, emite alertas em caso de suspeita de tromboembolismo pulmonar, hemorragia intracraniana, fratura na coluna cervical e perfuração intestinal. “Um exame que poderia ficar de dois a três dias aguardando o laudo é, nesses casos, imediatamente analisado pelo médico radiologista”, diz Angela Caiado, head de radiologia e diagnóstico por imagem do grupo Fleury.
Além de possibilitar a intervenção imediata em casos graves, o método tem a vantagem da precisão. “Diferentemente dos olhos humanos, algoritmos analisam imagens na forma de números que indicam coordenadas no espaço para, com base em treinamento com imensas bases de dados, reconhecer padrões atípicos”, afirma o neurocientista Alvaro Machado, professor da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp.
Também em busca de diagnósticos cada vez mais precisos, o InovaHC, núcleo de inovação tecnológica do Hospital das Clínicas, em São Paulo, está desenvolvendo em parceria com a startup Viziomed uma plataforma com ferramentas de inteligência artificial para detecção de doenças como câncer de mama, fígado, pulmão e próstata. “Com base em dados como idade do paciente e área do corpo analisada, os médicos poderão escolher quais algoritmos utilizar nas tomografias”, diz Marco Bego, diretor executivo do InovaHC.
Ele conta que a ideia da nova plataforma nasceu depois de o hospital ter desenvolvido, em parceria com as startups Visibilia e Otawa, um algoritmo para detecção de casos do novo coronavírus com base em imagens de tomografia de pulmão. Lançada no ano passado, a ferramenta já permitiu a emissão de cerca de 50 mil relatórios para 50 hospitais do país. Cada relatório aponta a probabilidade das imagens indicarem covid e a área do pulmão comprometida.
Antes disso, os médicos do HC marcavam a extensão da lesão manualmente. “Quando comparamos esses resultados aos da nova ferramenta, vimos que o algoritmo é 30% mais preciso, variação que pode significar a diferença entre mandar o paciente para a casa ou para a UTI”, afirma Bego.
A partir do ano que vem, o hospital também deve começar a utilizar algoritmos de IA para analisar imagens de ultrassom enviadas com tecnologia 5G de comunidades ribeirinhas da Amazônia, sem médicos por perto. Em fase piloto no Pará, o projeto prevê que os exames sejam realizados por enfermeiras treinadas e acompanhados em tempo real na tela de médicos como os do HC, a 3 mil quilômetros de distância.
A inteligência artificial também ajuda na previsão de doenças. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, desenvolveram um algoritmo capaz de calcular o risco de morte por arritmia com até dez anos de antecedência. Para isso, o sistema analisa a distribuição de cicatrizes no coração de pessoas com doenças cardíacas, detectadas por padrões não perceptíveis a olho nu. Os dados são então cruzados com informações como idade, peso, etnia e medicação dos pacientes. “Existem indivíduos de alto risco que não estão recebendo o tratamento que precisam e podem morrer no auge da vida”, diz Natalia Trayanova autora do estudo, publicado neste ano na “Nature Cardiovascular Research”.
Algoritmos também podem analisar o risco para o desenvolvimento da síndrome metabólica, condição decorrente de resistência à ação da insulina, que pode causar doenças cardiovasculares e câncer em órgãos como pâncreas. No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, uma ferramenta utilizada em check-ups cruza os dados de exames como os de funções renal, endócrina e cardiovascular, com respostas de questionários sobre sono, atividade física, estresse e variação de humor, para calcular a propensão para a doença. “O algoritmo mostra quem está predisposto a desenvolver síndrome metabólica”, diz Edson Amaro, coordenador do projeto Big Data e Inovação do hospital.
Disponível em: https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2022/11/28/nos-hospitais sistemas-antecipam-diagnosticos.ghtml. Acesso: 18 de agosto de 2023.
Ainda de acordo com o texto é possível afirmar que:
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