Questão 22 - MULTIVIX Medicina 2022
Leia os textos a seguir para responder à questão.
Pandemia: o que nos ensina o olhar de Milton Santos
Na trilha do capitalismo, o vírus primeiro afetou os centros econômicos; depois, proliferou pelas periferias — uma homogeneização pela doença, nunca pela cura. Seria o desacelerar o princípio de outra globalização, como propunha o geógrafo?
Os investimentos em ciência e técnica, no pós-Segunda Guerra Mundial, contribuíram para a consolidação dos Estados Unidos da América como principal potência mundial. [...] Segundo o geógrafo Milton Santos, tratava-se da chegada do meio técnico-científico-informacional, e com ele a criação e legitimação do processo de globalização, direcionado à satisfação das necessidades dos atores hegemônicos do mundo capitalista. [...]
O acesso aos mais diversos objetos tecnológicos, todo tipo de informação, a busca desenfreada pelo “luxo” e consumo, por exemplo, contribuíram para alavancar e solidificar as economias mundiais. Tudo passou a girar, de forma mais acelerada, em torno do dinheiro e da mais valia, sufocando e eliminando as solidariedades orgânicas à medida que o mundo ia se tornando mais “globalizado”. Uma globalização que é acima de tudo econômica; e que contribui para o fechamento de fronteiras, a quebra de leis e direitos trabalhistas, aumento de trabalhadores(as) informais, crescimento de famintos, surgimento de novas enfermidades, entre outros. [...]
A constituição de novas desigualdades e aprofundamento daquelas já existentes é reflexo dessas imposições, dadas mediante a saída do Estado na gestão de políticas públicas e a entrada dos sistemas privados na organização e controle destas, transformando direitos essenciais em serviços mercadológicos, como o sistema de saúde, retirando do Estado a responsabilidade de mantê-los de forma pública, gratuita e de qualidade para toda população.
Paralelamente aos avanços alcançados pela globalização têm-se crescentes disparidades resultantes da impregnação cada vez maior de objetos técnicos-científicos-informacionais em espaços selecionados de acordo com interesses de uma elite externa e/ou interna, definindo quais os mais fluidos, mais luminosos etc. Ou seja, quais aqueles onde a globalização vai estar mais presente e dominante, representados pelo movimento da população, distribuição da indústria e serviços, arcabouço normativo, incluídas a legislação civil, fiscal e financeira (Santos e Silveira). [...]
O ano de 2020 demostra que essa globalização, tão cara aos agentes econômicos e oligarquias financeiras, torna-se insustentável diante de uma crise de grande magnitude como esta resultante do coronavírus. Este inimigo tem sido capaz de frear a aceleração contemporânea, marcando, nas páginas da história, o ano de 2020 como aquele em que o mundo “parou”. Com efeito, aceleração e globalização são sinônimos. Desse modo, a desaceleração causada pelo vírus torna oportuno nos perguntarmos sobre os rumos da globalização. Ele, o vírus, não nos ensinaria a pensar uma outra globalização, conforme nos convidava Milton Santos?
Os efeitos causados por este vírus atingiram em cheio os principais países que comandam esse processo, em virtude de serem aqueles onde se têm os maiores fluxos do mundo presente – financeiros, transportes (aéreos, marítimos, terrestres) e informacionais –, facilitando a propagação da Covid-19. Os maiores números de contágios e mortes concentram-se nos países onde estão algumas das maiores bolsas econômicas do mundo (Bolsa de Valores de New York (NYSE), NASDAQ, Bolsa de Shanghai, Euronext) e os representantes mais poderosos do sistema capitalista do mundo globalizado.
Os países que se encontram na periferia do capitalismo e que são mantidos distantes do “banquete” da globalização também são atingidos, e de maneira mais aterrorizante, colocando em “xeque” os deficitários sistemas de saúde, provocando uma onda de contágios e mortes, principalmente naqueles em que as medidas necessárias de contenção e não propagação do vírus não são atendidas, afetando diretamente os que vivem à margem da sociedade, na periferia das grandes cidades ou nas mais remotas áreas de suas regiões, com ausência de condições mínimas de higiene, a exemplo de saneamento básico, como apontado pela professora da USP Larissa Bombardi no artigo “Covid-19, desigualdade social e tragédia no Brasil”, publicado no Le Monde Diplomatique Brasil. [..]
Fonte: FIRMINO, Paul Clívilan Santos. Pandemia: o que nos ensina o olhar de Milton Santos.Descolonizações. 26 mai. 2020. Disponível em:https://outraspalavras.net/descolonizacoes/pandemia-o-que-nos-ensina-o-olhar-de-milton-santos/.Acesso em 14 ago. 2021. Adaptado.
O artigo “Pandemia: o que nos ensina o olhar de Milton Santos”, de Firmino (2020) discute a globalização e seus efeito no mundo capitalista atual.
A partir da leitura e análise do texto e de outros estudos sobre a globalização, pode-se afirmar:
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