Questão 42 - UFN INVERNO 2024
“No século do meio ambiente, as virtudes têm seu sentido deslocado [...]. No que diz respeito às quatro virtudes cardinais clássicas, parecem também precisar de uma nova nuance: sabedoria, hoje, não pode ser meramente uma harmonia com o princípio absoluto do ser e do desaparecer do próximo, ela deve abranger uma harmonia com a natureza; a partir dela, a prudência deve se originar como capacidade de renúncia. A prudência só está lá onde tenha lugar uma ponderação racional das consequências das ações correspondentes ao raio de ação expandido pela técnica moderna e ainda mais importante, uma ponderação racional das consequências das ações das instituições às quais se pertence. Justiça não deve valer apenas para os membros da própria cultura, ela deve ser expandida para trás e para frente, no tempo e no espaço: o que nos precede historicamente - a natureza, culturas arcaicas - é objeto da justiça, tanto quanto as gerações futuras.
A coragem, por fim, hoje não terá seu valor mostrado primariamente na guerra [...]; coragem permanecerá, via de regra, como coragem civil, com a qual se rechaçam valores tornados questionáveis e se desautoriza a ditadura do consumo.”
Fonte: HÖSLE, V. G. Filosofia da crise ecológica: conferências moscovitas. São Paulo: Liber Ars, 2019. p. 83 84. Adaptado.
“A tarefa da ética é educar nosso apetite ou desejo para que evitemos o vício (para os gregos, a desmedida) e alcancemos a virtude (o equilíbrio), conquistada pelo exercício da prudência.
Quanto mais refletirmos sobre a finalidade das nossas ações, mantendo-nos na direção das ações virtuosas – as quais, segundo Aristóteles, têm na felicidade o maior bem, por ter seu fim em si mesma –, quanto mais soubermos agir racionalmente, conduzindo nossos desejos para longe dos vícios, mais prudentes, melhores e felizes seremos.”
Fonte: GALLO, Sílvio. Filosofia: experiência de pensamento. São Paulo: Scipione, 2014, p. 139. Adaptado.
Vittorio Hösle, no texto-base, nos instiga a revisar o conceito de prudência já pensado por Aristóteles, sob a perspectiva de uma crise ecológica.
Assinale com V as proposições verdadeiras e com F as falsas.
( ) A ponderação racional na nuance proposta por Hösle ao considerar o equilíbrio de ações visa a minha felicidade e da comunidade na qual estou inserido.
( ) Ponderar racionalmente ampliando o escopo das consequências de minhas ações é parâmetro necessário para a perspectiva ética em face à crise ambiental.
( ) A decisão prudencial de pertencer a uma instituição prescinde do conhecimento de suas ações na comunidade e no ambiente.
( ) A crise ambiental exige que a prudência tenha em conta a abrangência e o impacto da técnica moderna e das instituições às quais nos afiliamos.
Assinale a alternativa que contém todas as corretas.
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