Questão 1 - UFN VERÃO 2024
Do corpo ao digital.
Liberdade de expressão e criação para combater o discurso de ódio
[texto traduzido e adaptado]
Todas as pessoas habitam um corpo, que é diferente dos outros. A primeira e imediata evidência da diversidade humana e, ao mesmo tempo, de uma humanidade compartilhada é encarnada em um corpo físico. Reconhecer a diversidade humana nos permite ampliar as possibilidades de escolha e desenvolvimento digno. Por exemplo, modificar espaços públicos para garantir acessibilidade para pessoas com deficiência.
Para celebrar a diferença, tanto a liberdade de expressão quanto o acesso à informação são indispensáveis e, embora as plataformas digitais tenham um amplo potencial e mais pessoas as acessem, compartilhem e compartilhem, os desafios não são menores. O espaço público também é digital e continua sendo um espaço a ser conquistado. Esse é um posicionamento dos VS Twins, Victoria Moctezuma e Hugo Enrique Villalobos Solís, artistas visuais, performers e professores, para clamar por uma defesa da liberdade de expressão e liberdade de criação que vai desde o corpo e até mesmo o espaço público.
Para Victoria Moctezuma [de gênero não-binário], a liberdade de expressão implica a do corpo, com sua pele, roupas e movimentos. Portanto, garantir esse direito requer garantir que as vidas que encarnam todos os tipos de corpos sejam respeitadas. No entanto, alguns corpos foram historicamente invisibilizados, segregados ou violados. Isso deve mudar para forjar dinâmicas interpessoais e sociais mais saudáveis, que consolidem um ambiente de paz e desenvolvimento, explica o artista, e para que as pessoas possam produzir, criar e, acima de tudo, viver plenamente. Por isso, os gêmeos recorrem ao corpo como símbolo de resistência, e à pele nua como posição política de liberdade em seu trabalho artístico.
Embora o corpo tenha deixado de ser considerado como algo sagrado para algo orgânico, natural e próprio durante o Renascimento, ainda existem atos de invisibilização, opressão e diferentes tipos de violência contra corpos que, explica Victoria, não respondem a certas expectativas padronizadas ou que não são objetificados por certos olhares privilegiados, que podem sexualizar esses corpos sem eles nem mesmo estarem nus. Enquanto isso, corpos gordos, idosos, deficientes, travestis, transexuais continuam sendo conflituosos para alguns setores, incluindo o campo da arte e dentro de grupos vulneráveis, por exemplo, corpos exaltados pela cultura homossexual masculinizada que deslocam outros.
Victoria Moctezuma partilha que habita um corpo não-binário que pode ser lido como feminino ou masculino e com o qual, por exemplo, anda no mercado. Passou a viver a censura, o assédio nas ruas e as expressões violentas. Para Victoria, a arte é uma ferramenta poderosa para promover ações a partir de perspectivas imperceptíveis, inéditas e amáveis, até mesmo para a denúncia de desigualdades e violências. Ele enfatiza que a arte tem uma função inestimável quando responde à diversidade e à dignidade humana, especialmente quando está em espaços públicos ou educacionais.
Victória, que é professor de artes plásticas, faz parte da geração para quem a internet é indispensável, pois permite fornecer informações para responder às questões do dia a dia, combater a desinformação e os preconceitos, além da possibilidade de as pessoas darem visibilidade a suas histórias e a si mesmas. No entanto, ele ressalta que a maior exposição também aumenta a possibilidade de ser vítima do ódio, junto com a mobilização de grupos antidireitos, por isso é urgente gerar estratégias que vão além do digital, sem abandonar a presença nesse ecossistema. Diante do aumento da disseminação de discursos de ódio na internet, Victoria menciona que espaços devem ser construídos e experiências de aproximação entre as pessoas devem ser geradas para desmistificar ideias e partir para encontros presenciais que podem ser positivos ou até bonitos. O desafio é que as iniciativas possam garantir a segurança e a integridade de todas as pessoas envolvidas e, por outro lado, que as pessoas que desejam compartilhar ou empreender redes de ativismo, colaboração de trabalho ou cuidado, fortaleçam suas ferramentas, metodologias e estratégias.
O artista e professor propõe-se a caminhar em direção a propostas pedagógicas, particularmente ligadas à arte. Ele explica que, assim como existem oficinas de culinária ou para confecção de móveis, propostas de oficinas de conscientização também devem ser oferecidas e apoiadas, por exemplo, sobre diversidade sexual e de gênero, para combater estereótipos e que as propostas partam do cotidiano com abordagens em adolescentes e grupos diversos. Os gêmeos ministram oficinas de desenho com modelos de nudez de diversas corporalidades, promovendo a aceitação do corpo, considerando-o como elemento pedagógico, e buscando a coletividade. Eles tiveram experiências em que as pessoas não podiam desenhar por causa do impacto de estar diante de um corpo nu, mas o processo é fundamental para transformar a experiência, especialmente quando se confronta com um corpo não canônico ou genérico.
Victoria explica que muitas vezes o que odiamos em nós mesmos ou não gostamos em nosso corpo é devido a imposições, expectativas ou preconceitos, por exemplo: a idade como requisito para poder fazer uma coisa ou como limitação para fazer outra, ou que algo na pele é problemático. A discussão parece permanecer no foro íntimo, ou é eventualmente considerada supérflua, mas é fundamental abordá-la, reconhecer também como o corpo apresenta diferentes processos de luta, resiliência e esperança. Victoria e Hugo focam o olhar na beleza que tem a ver com a vida sobrevivente, tomam a paisagem de corpos e rostos para captar heranças culturais, histórias, atitudes, inclusive as negativas, a fim de honrar forças
UNESCO. Do corpo ao digital. Liberdade de expressão ecriação para combater o discurso de ódio. Publicado em 21/07/2023. Disponível em https://www.unesco.org/es/articles/del-cuerpo-lo-digital libertad-de-expresion-y-de-creacion-para-contrarrestar-el discurso-de-odio?hub=365, acessado em 22/08/2023.
No período “Portanto, garantir esse direito requer garantir que as vidas que encarnam todos os tipos de corpos sejam respeitadas.”, o ‘que’ sublinhado é uma conjunção integrante.
Escolha a alternativa em que o uso do ‘que’ corresponde a uma conjunção integrante também.
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