Questão 2 - UniRV RIO VERDE 2024/1
O cronista é um escritor crônico – Affonso Romano de Sant’Anna
O primeiro texto que publiquei em jornal foi uma crônica. Devia ter eu lá uns 16 ou 17 anos. E aí fui tomando gosto. Dos jornais de Juiz de Fora, passei para os jornais e revistas de Belo Horizonte e depois para a imprensa do Rio e São Paulo. Fiz de tudo (ou quase tudo) em jornal: de repórter policial a crítico literário. Mas foi somente quando me chamaram para substituir Drummond no Jornal do Brasil, em 1984, que passei a fazer crônica sistematicamente. Virei um escritor crônico.
O que é um cronista?
Luís Fernando Veríssimo diz que o cronista é como uma galinha, bota seu ovo regularmente. Carlos Eduardo Novaes diz que crônicas são como laranjas, podem ser doces ou azedas e ser consumidas em gomos ou pedaços, na poltrona de casa ou espremidas na sala de aula.
Já andei dizendo que o cronista é um estilita. Não confundam, por enquanto, com estilista. Estilita era o santo que ficava anos e anos em cima de uma coluna, no deserto, meditando e pregando. São Simeão passou trinta anos assim, exposto ao sol e à chuva. Claro que de tanto purificar seu estilo diariamente o cronista estilita acaba virando um estilista.
O cronista é isso: fica pregando lá em cima de sua coluna no jornal. Por isto, há uma certa confusão entre colunista e cronista, assim como há outra confusão entre articulista e cronista. O articulista escreve textos expositivos e defende temas e ideias. O cronista é o mais livre dos redatores de um jornal. Ele pode ser subjetivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se. Seu “eu”, como o do poeta, é um eu de utilidade pública.
Que tipo de crônica escrevo? De vários tipos. Conto casos, faço descrições, anoto momentos líricos, faço críticas sociais. Uma das funções da crônica é interferir no cotidiano. Claro que essas que interferem mais cruamente em assuntos momentosos tendem a perder sua atualidade quando publicadas em livro. Não tem importância. O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.
Disponível em: contobrasileiro.com.br/o-cronista-e-um-escritor-cronico-affonso-romano-de-santanna/
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as afirmativas de acordo com o texto:
( ) A origem etimológica dos vocábulos "crônica", "cronista" e "crônico" é a mesma, derivando do termo grego "khrónos" (relacionado ao tempo), o que explica o fato de crônicas serem sempre textos narrativos, isto é, relativos à passagem do tempo.
( ) No decorrer do texto, o autor apresenta algumas definições de cronista, e ao final aponta uma das funções do gênero crônica.
( ) O autor faz uma analogia entre o cronista e um estilita; nega, porém, que esse tipo de escritor seja um estilista.
( ) Segundo o texto, o cronista dos grandes jornais é um escritor crônico porque escreve sistematicamente, diariamente.
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